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Os temas das revistas LEGO

por baixinho, em 16.09.20

Quando os primeiros números da revista Star Wars começaram a aparecer nas papelarias portuguesas era um comprador assíduo. Apesar de cada vez menos gostar das revistas em si, os pequenos sets LEGO eram deveras interessantes. Com o tempo o interesse foi diminuindo (talvez porque começaram a sair cada vez mais minifigs, o que não são propriamente do meu interesse) e acabei por deixar de as comprar. Altura que coincidiu mais ou menos com o aparecimentos de outros títulos como Friends, NinjaGo, City entre outros.

Nos últimos meses o meu filho Artur (5 anos) começou a interessar-se pelas revistas, primeiro porque eu dei-lhe as de Star Wars que tinha para, inicialmente, fazer recortes e  mais tarde para lhe lerem as histórias e fazer algumas das actividades. Segundo o factor Netflix deu-lhe um grande impulso no interesse no tema NinjaGo.

Logo foi praticamente inevitável ele gastar algumas das suas economias em duas revistas NinjaGo.

Se no início achava algo muito próximo do desperdício, a verdade é que o dinheiro gasto nas revistas até foi bem aproveitado. As minifigs que sairam em ambas já serviram (e continuam a servir) para mil e uma aventuras além de que já foram desfeitas e refeitas em conjunto com outras um bom par de vezes. Além disso as próprias revistas já foram lidas, relidas e praticamente todas as actividades realizadas, já que algumas são demasiado complexas para o petiz.

No entanto há qualquer coisa nas revistas que não me faz sentir confortável.

Não demorei muito para descobrir a causa deste desconforto. Ou melhor, as causas já que é um conjunto de vários factores que tornam as revistas algo pior do que aparentemente são.

Não, não vou começar pelo preço já que não me parece que seja demasiado alto para o conjunto revista/oferta LEGO. O primeiro factor que me incomoda são mesmo os temas. Star Wars, NinjaGo, Batman, Nexo Knights, Jurassic Park e até os insuspeitos City e Friends. Os primeiros são de conteúdos sem profundidade, irrelevantes e que, por cima, não tem uma regularidade e continuidade assegurada já que dependem dos temas da própria LEGO. Os segundos apesar de genéricos são tratados também de forma tão ligeira (e arrisco dizer, americana) que se tornam praticamente inúteis em termos de formação de uma criança. Ou seja, nenhum destes títulos podem ser considerados interessantes em termos de estruturação de valores e aprendizagens para os mais novos. São temas de ler, fazer e deitar forma.

Claro que podem dizer que é o que vende, mas se a LEGO se mostra preocupada, e bem, com o futuro como vemos na questão da sustentabilidade abordada ontem, parece-me que é uma oportunidade desperdiçada os conteúdos destas revistas. Principalmente sabendo da existência ou conhecendo outras séries de revistas/livros em que os conteúdos são muito mais interessantes e pertinentes. Não, não vou exemplificar com a Playmobil (que continua a ser um brinquedo para crianças muito mais interessante em termos de temas abordados) mas sim com uma série de livros de animais que o Artur teve há uns anos atrás e que regularmente voltam a estar disponíveis nas papelarias. São cerca de 60 números onde cada livro trata de uma espécie animal de forma infantil, com histórias e curiosidades mas ao mesmo tempo com cuidado científico. Cada livro também trazia dois animais (o abordado no livro e outro) em plástico com uma boa dimensão. Apesar do Artur já pouco brincar com animais ainda "lê" os livros regularmente. Mas o melhor de tudo é que já os consultou algumas vezes quando surgiram dúvidas quanto aos animais.

Portanto não é difícil de perceber que olhando para estes livros fico com alguma pena que o Artur ande tanto à volta das revistas LEGO já que estão próximas do lixo em termos de relevância para aquilo que eu quero que o meu filho se torne.

Este é o ponto mais importante, mas não é o único que me incomoda. Outro é a questão que não se sabe (e provavelmente nem a editora) a continuidade das revistas. Uma pessoa começa uma e simplesmente não sabe se vai durar dois números ou trinta. Mais um ponto para o descartável e não para a proclamada economia circular que a LEGO deseja dar aos seus produtos.

Falei acima dos temas, mas além dos temas a forma como eles são tratados também é péssima. As histórias são sempre frenéticas, sem tempo de ponderação e sem qualquer profundidade. Parece que foram criadas para miúdos que bebem coca-cola de manhã a noite e ainda estou para perceber como há pais que se queixam da pretensa hiper-actividade dos filhos mas continuam a contribuir com brinquedos que estimulam isso ainda mais. Logo a LEGO que é acima de tudo um brinquedo de construção, onde características de valor como a paciência, perseverança, criatividade etc deveriam ser estimuladas, são descartadas em prol de histórias de "acção". Muita "acção".

Portanto é interessante verificar que em vez de ficar feliz com o interesse do Artur pelas revistas LEGO, que são uma faceta do meu adorado hobby, fico preocupado.

ps. quando escrevi este artigo, no domingo passado, ainda não conhecia a existência desta revista que tem mesmo aspecto de satisfazer parte das preocupações! :)

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publicado às 13:00

LEGO e Sustentabilidade

por baixinho, em 15.09.20

A empresa LEGO sempre foi conhecida por muitas vezes estar à frente naquilo que acredita (como entidade) serem os melhores valores. Sem querer ser exaustivo deixo dois exemplos que facilmente me chegam à memória: a extrema segurança dos seus produtos em relação às crianças e a possibilidade de licença de maternidade a funcionários de países onde isso não está contemplado na lei.

A sustentabilidade é um mote que tem crescido nos últimos tempos e que de certa forma substituiu a "ecologia" que dominou a temática nos idos anos 80. Por isso não é de estranhar os vários movimentos que a LEGO deu nos últimos anos e planeia dar nos próximos nesta área. O mais conhecido é a intenção de utilizar plástico (ou sucedâneo) sustentável na totalidade dos seus produtos em 2030.

Outros pequenos passos já foram dados (mais do que a questão das peças fabricadas à base de cana de açúcar, estou a lembrar-me da quantidade de aerogeradores que a LEGO gere em alto mar), mas um daqueles que toda a gente se devia perguntar é porque raios os conjuntos LEGO trazem tantos sacos de plástico de uma única utilização e que invariavelmente vão para à reciclagem ou, pior, lixo. Ok, sei de casos de pessoal que os guarda, mas isso parece-me que são casos extremos...

Por isso não é de estranhar (mas de qualquer forma sempre de louvar) este press release onde uma das consequências mais práticas é mesmo a introdução de sacos de papel no interior dos conjuntos LEGO já em 2021.

GRUPO LEGO VAI INVESTIR 400 MILHÕES DE DÓLARES EM TRÊS ANOS PARA ACELERAR OS ESFORÇOS PARA A SUSTENTABILIDADE

Próximo passo é começar a substituir os sacos plásticos de uma só utilização nas caixas LEGO®, para atingir a meta de tornar as embalagens sustentáveis até 2025

Serão também feitos investimentos para conseguir produtos mais sustentáveis, zero desperdício e operações com emissões de carbono neutras e para inspirar as crianças a aprender sobre a sustentabilidade enquanto brincam.

O Grupo LEGO anunciou planos para investir 400 milhões de dólares – cobrindo os custos atuais e os investimentos a longo prazo – ao longo de três anos para acelerar as suas iniciativas de sustentabilidade e responsabilidade social. A empresa, que ao longo dos últimos 10 anos deu já vários passos para construir um planeta melhor para gerações futuras, acredita que é cada vez mais urgente e importante priorizar atividades sociais e ambientais.

O CEO do Grupo LEGO, Niels B. Christiansen diz: “Não podemos perder de vista os desafios decisivos que as gerações futuras terão de enfrentar. É urgente tomarmos medidas agora para cuidar do planeta para as gerações futuras. Como empresa que olha para as crianças como exemplos a seguir, inspira-nos ver os milhões de crianças que pedem que sejam tomadas medidas para combater as mudanças climáticas. Acreditamos que devem ter acesso a oportunidades para desenvolver as capacidades necessárias para criar um futuro sustentável. Vamos redobrar os nossos esforços, para usar os recursos, contactos, experiência e plataformas para ter um impacto positivo.”

O próximo passo vai ser a substituição dos sacos de plástico de uma só utilização que vão dentro das caixas a envolver as peças, como parte da ambição de até ao final de 2025 tornar todo o packaging da marca sustentável. A partir de 2021, sacos de papel certificados pelo Forest Stewardship Council vão começar a ser testados nas caixas.

Christiansen diz: “Recebemos várias cartas de crianças sobre o meio ambiente e a pedirem-nos para substituir os plásticos de uma só utilização. Temos vindo a trabalhar em alternativas há já algum tempo e a paixão e ideias das crianças foram um grande incentivo para acelerarmos a mudança.”

Abandonar o packaging existente não é uma tarefa simples e vai demorar algum tempo, pois o novo material deve ser leve, resistente e melhorar a experiência de construção. Vários protótipos foram feitos, com centenas de materiais diferentes, que foram testados com pais e crianças. As crianças gostaram dos sacos de papel que serão testados em 2021, pois são amigos do ambiente e fáceis de abrir.

Investimento a longo prazo num futuro sustentável

Até 2022, o objetivo do Grupo LEGO é o de alcançar 8 milhões de crianças anualmente para que aprendam a brincar, através de atividades com parceiros e em colaboração com a LEGO Foundation. Vai continuar a trabalhar com organizações como a UNICEF, Save the Children e parceiros locais para os programas que visam dar a crianças com necessidades acesso a brinquedos e oportunidades para desenvolver capacidades para toda a vida, como a resolução de problemas, colaboração e comunicação. Em 2019, 1,8 milhões de crianças foram alcançadas com este tipo de programas. 25% dos lucros do Grupo LEGO são canalizados para os projetos, atividades e parcerias da LEGO Foundation.

Circularidade

O Sistema de Brincar LEGO inspira possibilidades infinitas que apoiam os princípios do design circular – um produto feito com materiais de qualidade que pode ser usado e reutilizado. A qualidade, durabilidade, segurança e consistência dos tijolos LEGO significa que podem ser passados de geração em geração. Os tijolos feitos hoje, encaixam nos que foram feitos há 40 anos.

Vão ser postos em marcha programas para encorajar as pessoas a doar as peças que não utilizam para as crianças que precisam de brincar. O LEGO Replay, que foi testado com sucesso nos Estados Unidos em 2019, vai ser posto em prática em dois novos países até ao fim de 2022. Até agora, o programa LEGO Replay doou peças a mais de 23.000 crianças nos Estados Unidos.

Materiais Sustentáveis

O trabalho continua no Programa para os Materiais Sustentáveis do Grupo LEGO, que conta com mais de 150 especialistas, para criar produtos e packaging sustentáveis. Em 2015, o Grupo definiu a meta de até 2030 todos os seus produtos serem feitos de materiais sustentáveis. Vai expandir o seu uso de bio-tijolos, como os feitos de cana-de-açúcar, que atualmente representam 2% do portfolio.

O Grupo vai continuar a procurar novos plásticos feitos de materiais reciclados e renováveis, e vai unir forças com outras instituições e empresas, especialmente aquelas que estão a desenvolver novas tecnologias para produzir materiais reciclados e biológicos, para conseguir encontrar uma matéria prima que produza peças com a qualidade e a durabilidade das atuais.

Os investimentos previstos, incluem tanto os custos associados com o desenvolvimento de novos materiais sustentáveis, como o investimento em equipamento para produzir os mesmos.

Zero desperdício e Operações com emissões de carbono neutras

As operações de fabrico do Grupo vão ser neutras em carbono até 2022. Para alcançar esta meta, painéis solares adicionais vão ser instalados em todas as fábricas e a sua capacidade será suplementada através de energias renováveis. Vão também ser feitos investimentos para melhorar o consumo de energia, por exemplo, ao instalar novos sistemas que usam o ar ambiente em processos de arrefecimento na produção de peças.

Para reduzir ainda mais o impacto operacional no ambiente, o tratamento de desperdícios vai ser melhorado e o consumo de água reduzido. Nenhum desperdício irá para aterros a partir de 2025 e o consumo de água vai descer 10% em 2022.

Unir esforços para ter um impacto positivo

O Grupo LEGO vai continuar a trabalhar com organizações como a Fundação Ellen MacArthur, o World Wild Fund for Nature, a RE100, UNICEF e a Save the Children, para ter um maior impacto.

Christiansen disse: “Numa altura em que o Mundo está a enfrentar diversos desafios, as empresas têm de agir para criar um impacto positivo e duradouro no ambiente e na sociedade. Ninguém o consegue fazer sozinho. Peço às empresas, governos, pais, crianças e ONGs que continuem a unir esforços para criar um futuro sustentável para as nossas crianças, os construtores de amanhã.”

Sobre as cartas que o Grupo recebe de crianças acerca da sustentabilidade, o Vice-Presidente para a Sustentabilidade Ambiental, Tim Brooks, diz: “As crianças dão as ideias mais fantásticas e criativas sobre como podemos ser mais amigos do ambiente, quando nos contactam. Respondemos a todas as cartas e muitas são partilhadas com o CEO e a equipa de Responsabilidade Ambiental para consideração. Adoro ouvir as crianças. É a melhor parte do meu trabalho.”

Se conhecer alguma criança que tenha uma ideia para ajudar a moldar ou a melhorar as ambições de sustentabilidade do Grupo LEGO, visite www.LEGO.com/service e partilhe as ideias com o Tim e a sua equipa.

Notas:

Para mais informações visite www.LEGO.com/sustainability onde pode descobrir mais sobre a os compromissos ambientais e sociais do Grupo LEGO.

Mais informação sobre os compromissos de sustentabilidade do Grupo LEGO:

Ao longo de três anos, o Grupo LEGO vai trabalhar para atingir os seguintes objetivos, em várias iniciativas novas ou já existentes:

Crianças:

8 milhões de crianças anualmente vão ser alcançadas através de programas globais e locais em 27 países diferentes. Estes programas vão focar-se em levar a brincadeira às crianças como meio para as ajudar a desenvolver capacidades para toda a vida e aprender sobre a sustentabilidade. Este esforço incluirá programas novos e já existentes, como o Build The Change, Build to Give, RE:CODE e iniciativas em comunidades apoiadas por funcionários voluntários.
2 milhões de pais e cuidadores vão ser alcançados até ao fim de 2022 através de programas desenhados para os educar acerca dos benefícios de brincar.
Continuar a definir o padrão de responsabilidade no contacto com as crianças, com foco no contacto online – protegendo os seus direitos e bem-estar através de todos as experiências digitais do Grupo LEGO. Seja ensinando as crianças sobre segurança online com o seu Super-Herói da segurança digital o Captain Safety, providenciando experiências digitais criadas para ser seguras, como a plataforma de social media LEGO Life, ou continuando a parceria com a UNICEF para desenvolver padrões e políticas para salvaguardar as crianças e a segurança digital, enquanto inspiramos outros negócios a fazer o mesmo.
Milhões de pais e crianças vão ser alcançadas com o programa de Cidadania Digital & Bem Estar, que procura dar às crianças o poder e as capacidades para se tornarem cidadãos digitais responsáveis. A última campanha, Small Builds for Little Conversations, procurava envolver e ajudar os pais a falar com as crianças sobre segurança digital e atingiu até agora, mais de 20 milhões de adultos.

Ambiente:

Operações de fabrico com emissões de carbono neutro até ao fim de 2022 e continuar a trabalhar para estar 100% dependente de energias renováveis em todos os territórios em que opera. Isto envolverá investimentos em medidas para reduzir os gastos energéticos e as emissões de carbono por peça produzida.
Lançar o programa LEGO Replay em mais dois países até ao fim de 2022. O Grupo LEGO vai também trabalhar com a Fundação Ellen MacArthur para criar mais produtos e packaging circular.
Sem desperdícios a chegar a aterros até ao fim de 2025. Que será alcançado ao reduzir o desperdício nas operações de fabrico do Grupo LEGO. O Grupo LEGO envia 93% do desperdício de fábrica para reciclar, incluindo 100% dos plásticos das máquinas de moldar, parte do qual é reutilizado pela marca.
Ambição tornar todo o packaging sustentável até 2025, incluindo a remoção dos plásticos de uma só utilização em todos os produtos, embalagens e operações. Incluirá também banir todos os plásticos de uma só utilização da fábrica, escritórios e lojas.
Ambição de em 2030 todos os produtos serem feitos de materiais sustentáveis.

Pessoas e comunidades:

Continuar o programa de Princípios de Negócio Responsável do grupo, garantindo os direitos e o bem-estar de todos os envolvidos na produção de produtos LEGO, incluindo os filhos dos trabalhadores.
Foco em tornar os locais de trabalho do Grupo LEGO inclusivos, seguros e motivadores para todos os funcionários.
Continuar a apoiar as crianças e as comunidades impactadas por conflitos e crises globais. Em 2020, o Grupo LEGO juntou forças com a LEGO Foundation para doar 50 milhões de dólares para apoiar crianças cujo bem-estar e desenvolvimento foi impactado pelo COVID-19. O Grupo doou 4 milhões de dólares adicionais a organizações dedicadas a apoiar crianças negras e educar todas as crianças para a igualdade racial, demonstrando o seu apoio à comunidade negra na luta contra o racismo e a desigualdade.

Além das consequências mais práticas, fiquei curioso com várias outras movimentações como, por exemplo, o da economia circular. É que é um conceito a que a grande maior parte dos AFOLs devem estar avessos :)

Como referi acima, é com certeza uma iniciativa de louvar e que, pessoalmente e abordando a questão dos sacos, penso que até vai ser mais prática e razoável. Sempre que vou à reciclagem levar os despojos dos conjuntos LEGO, o volume criado pelos sacos é, de longe, o que me pesa mais na consciência.

Pena que esta consciência sustentável por parte da LEGO não tenha eco em temas mais responsáveis nos seus produtos (ponto que vou abordar amanhã num artigo de opinião aqui no blog).

 

Press release original:

LEGO Group to invest up to US$400 million over three years to accelerate sustainability efforts

  • Next step is to begin to phase out single-use plastic bags from LEGO® boxes in latest move to make all packaging sustainable by 2025.
  • Further investments will also be made in creating more sustainable products, achieving zero waste & carbon neutral operations, circularity and inspiring children to learn about sustainability through play.

The LEGO Group today announced it plans to invest up to US$400 million – covering ongoing costs and long-term investments - across three years to accelerate sustainability and social responsibility initiatives. The company, which has made a series of moves over the past 10 years to build a better planet for future generations, believes it’s increasingly urgent and important to prioritise environmental and social activity. 

The LEGO Group CEO, Niels B Christiansen said:  “We cannot lose sight of the fundamental challenges facing future generations.  It’s critical we take urgent action now to care for the planet and future generations. As a company who looks to children as our role models, we are inspired by the millions of kids who have called for more urgent action on climate change. We believe they should have access to opportunities to develop the skills necessary to create a sustainable future. We will step up our efforts to use our resources, networks, expertise and platforms to make a positive difference.”

As a next step, the company will begin to phase out single-use plastic bags used in LEGO boxes to package the loose bricks. This is part of its ambition to make all its packaging sustainable by the end of 2025. From 2021, Forest Stewardship Council-certified recyclable paper bags will be trialled in boxes.

Christiansen said: “We have received many letters from children about the environment asking us to remove single-use plastic packaging. We have been exploring alternatives for some time and the passion and ideas from children inspired us to begin to make the change.”

Moving away from the existing packaging is not a simple task and will take time as new material must be durable, light weight and enhance the building experience. Several prototypes made from a range of different sustainable materials have so far been tested with hundreds of parents and children. Children liked the paper bags being trialled in 2021 as they were environmentally friendly and easy to open.

Long-term investment in building a sustainable future

In addition to developing and implementing sustainable materials, the up to US$400million investment will also focus on a range of social and environmentally focussed actions to inspire children through learning through play, making the business more circular, and achieving carbon neutral operations. The activity will drive meaningful, long-term change aligned to two United Nations Sustainable Development Goals: #4 Quality Education and #12 Responsible Consumption and Production: 

Children

By 2022, the LEGO Group aims to reach 8 million children around the world annually with learning through play through a range of activities with partners, in collaboration with the LEGO Foundation. It will build on its work with organisations such as UNICEF, Save the Children and local partners to scale up programmes that give children-in-need access to play and opportunities to develop life-long skills such as problem solving, collaboration and communication.  In 2019, 1.8 million children were reached through such programmes.  25% of profits from the LEGO Group go to funding the LEGO Foundation’s projects, activities and partnerships.

Circularity

The LEGO System in Play inspires endless play possibilities that supports the principles of circular design – a product made of quality materials that can be used and reused. The quality, durability, safety and consistency of LEGO bricks mean they can be passed from generation to generation. Bricks made today, fit those made more than 40 years ago.

Programmes will be put in place to encourage people to donate their pre-loved bricks to children in need of play. LEGO Replay, which was successfully trialled in the United States in 2019, will be rolled out in two additional countries by the end of 2022. So far, LEGO Replay has donated bricks to over 23,000 children across the United States[1].

Sustainable Materials

Work will continue on the company’s Sustainable Materials Programme, which employs more than 150 experts, to create sustainable products and packaging. In 2015, the Group set a target to make its products from sustainable materials by 2030. It will expand its use of bio-bricks, such as those made from sugar cane, which currently account for almost 2% of its element portfolio.

It will continue research into new, more sustainable plastics from renewable and recycled sources, and join forces with research institutes and other companies especially those developing new recycling and bio-based material production technologies to find materials which are as durable and high quality as those used today[2].

The planned investments include both costs associated with the development of new sustainable materials and the investments in manufacturing equipment.

Zero Waste & Carbon Neutral Operations

The Group’s manufacturing operations will be carbon neutral by 2022. To achieve this, additional solar panels will be installed on all its factories and onsite capacity will be supplemented with the procurement of renewable energy. Further investments will be made to improve energy usage, for example by installing new systems that use ambient air in cooling processes during LEGO brick production.

Improved waste handling and reduction in water consumption will further reduce the Group’s operational impact on the environment. No waste will be diverted to landfill by 2025 and water use will drop by 10% by 2022[3].

Joining forces to have a positive impact

The LEGO Group will continue to work with organisations such as the Ellen MacArthur Foundation, World Wild Fund for Nature, RE100, UNICEF and Save the Children in order to create the greatest impact.

Christiansen said:  “At a time when the world is facing numerous challenges, companies must take action to create a lasting positive impact on the environment and society.  No one can do it alone.  I urge companies, governments, parents, children and NGOs to continue to join forces to create a sustainable future for our children, the builders of tomorrow.”

Speaking about the letters the company receives about sustainability from children, Vice President, Environmental Sustainability, Tim Brooks said:  “Children share the most fantastic and creative ideas about how we can be more environmentally friendly when they contact us. We respond to every letter and many are shared with the CEO and Environmental Responsibility team for further consideration. I love hearing from children. It’s the best part of my job!”

If you know a child that has an idea to help shape the LEGO Group's sustainability ambitions, visit LEGO.com/service to share it with Tim and the team.

More information about the LEGO Group’s Sustainability Commitments

Over three years, the LEGO Group will work to achieve the following targets through a range of existing and new initiatives.

Children

  • 8 million children annually will be reached through global and local community programmes in 27 different countries[4]. These will focus on bringing play to children to help them develop life-long skills and learn about sustainability. These will include new and existing programmes, such as Build the Change, Build to Give, RE:CODE and community initiatives supported by employee volunteers.
  • 2 million parents and caregivers will be reached by the end of 2022 through programmes designed to educate them about the life-long benefits of play.
  • Continue to set the standard for responsible engagement with children, with a focus on online engagement - protecting their rights and wellbeing across all of the LEGO Group’s digital experiences; whether that be teaching children about staying safe online with our digital safety superhero Captain Safety, providing safe-by-design digital experiences like the social media network for children LEGO Life, or continuing to partner with UNICEF to develop industry-leading standards and policies for child safeguarding and digital child safety while inspiring other businesses to do the same.
  • Millions of parents and children will be reached as part of an ongoing Digital Citizenship & Wellbeing programme aimed at empowering children and giving them the skills to be responsible digital citizens. The latest campaign, Small Builds for Big Conversations, aimed at engaging and supporting parents to talk to their children about digital safety has so far reached more than 20 million adults.

Environment

  • Carbon neutral manufacturing operations by the end of 2022 and continuing to be 100% balanced by renewable energy in all territories in which we operate. This will involve investing in efficiency measures to lower energy use and carbon emission output per LEGO brick produced.
  • Launch LEGO Replay in two more countries by the end of 2022. The LEGO Group will also work with the Ellen Macarthur Foundation network as part of efforts to design more circular products and packaging.

  • No waste to reach landfill by end of 2025. This will be achieved by reducing the waste produced as part of the LEGO Group’s manufacturing operations. The LEGO Group sends 93% of all factory waste to be recycled, including 100% of plastic waste from our moulding machines, some of which is reused in our own manufacturing[5].
  • 2025 ambition to make all packaging 100% sustainable, including removing single-use plastic in all our products, packaging and operations. This will include banning single-use plastic from all offices, factories and stores.

  • 2030 ambition to have all products made from sustainable materials.

People & Communities

  • Continued responsible sourcing programme grounded in the LEGO Group’s Responsible Business Principles, which protects the rights and wellbeing of anyone involved in the production of LEGO products, including the children of workers.
  • Ongoing focus on making the LEGO Group workplaces inclusive, safe and motivating for colleagues.

  • Continued support for children and communities impacted by societal struggles and global crises. In 2020 the LEGO Group joined forces with the LEGO Foundation to donate US $50m to support children whose wellbeing and development became impacted by COVID-19[6]. The Group donated an additional US$4m to organisations dedicated to supporting black children and educating all children about racial equality, to demonstrate its support with the black community against racism and inequality.

[1] Since October 2019

[2] Partners include University of Budapest, University of Amsterdam, Aarhus University and consortia including Bio-speed (consortium consisting of Danone, L’Oréal, Michelin, Bic and Faurecia as well as the LEGO Group)

[3] Tracked against 2019 usage

[4] The LEGO Group reached 1.8 million children with local community engagement programmes in 2019.

[5] Full year 2019 data

[6] More information here.

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publicado às 12:05

Braille Bricks

por baixinho, em 20.08.20

Aqui está o press release oficial desta iniciativa da LEGO.

LEGO® Braille Bricks to launch in twenty countries over the next six months following successful pilot program   

The LEGO Foundation and the LEGO Group roll out the first wave of the program in partnership with local sight loss organizations to help children with vision impairment learn critical thinking, problem solving and collaboration through play.

Billund, August 20th 2020: Today, the LEGO Foundation and the LEGO Group announced the official launch of LEGO Braille Bricks in seven countries, including Brazil, Denmark, France, Germany, Norway, UK, and USA. The program was first unveiled as a pilot project in April 2019 during the Sustainable Brands Conference in Paris, France – home ground of Braille inventor, Louis Braille. Since then, the concept has been tested across various languages and cultural contexts and is ready to launch in six languages, including Danish, Norwegian, English, Portuguese, German and French. Four additional language versions will launch over the next six months, with the ambition that the concept will be implemented in a total of eleven languages across twenty countries by early 2021.

LEGO Braille Bricks introduces a fun and engaging way to help children with vision impairment develop tactile skills and learn the braille system. The bricks are moulded so that the studs on top reflect individual letters and numbers in the Braille alphabet while remaining fully compatible with the LEGO System in Play. The bricks also feature printed letters, numbers and symbols so that they can be used simultaneously by sighted peers, classmates, and teachers in a collaborative and inclusive way.

“With these Braille Bricks, the LEGO Foundation has created a totally new and engaging way for children with vision impairment to learn to read and write,” says David Clarke, Director of Services at the Royal National Institute of Blind People, which worked with the LEGO Foundation to develop and test the bricks in the UK. “Braille is an important tool, particularly for young people with vision impairment, and these cleverly designed bricks enable children to learn braille creatively while also engaging with their classmates in a fun and interactive way.”

The LEGO Braille Bricks toolkit is accompanied by a pedagogical concept that is based on Learning through Play and includes inspiration for brick-based activities to enhance learning and skill-development. All of the pedagogical materials are available at www.LEGObraillebricks.com, a dedicated website that offers inspiration for pre-braille and braille activities to promote Learning through Play. However, the LEGO Foundation also plans to work with teachers of the visually impaired to continue to develop the LEGO Braille Bricks concept, and is calling on teachers to submit more ideas to continuously expand the pool of activities. This interaction will be facilitated online in a Facebook group – LEGO Braille Bricks Community – where teachers can meet to share best practices, creative ideas and playful experiences with LEGO Braille Bricks.

“As an educator, I know LEGO Braille Bricks will be so helpful in bringing together different kinds of learners,” says Paige Maynard, Teacher of the Visually Impaired and Developmental Interventionist at Visually Impaired Preschool Services in Louisville, KY. “Students with visual impairments will be able to play and learn alongside their sighted peers. The bricks bring the joy of play into braille and tactile skills instruction. They help remind us that the most impactful and long-lasting learning occurs when children are actively engaged in activities they enjoy.”

As LEGO Braille Bricks toolkits launch in each respective country, they will be distributed free of charge to select institutions, schools and services catering to the education of children with visual impairment. The LEGO Foundation will work together with Official Partners in each country to manage distribution of the toolkits and support localization and training of the teaching concept presented on www.LEGObraillebricks.com.

Each kit will contain 300+ LEGO Braille Bricks covering the full alphabet in the chosen language, numbers 0-9, and select mathematical symbols and punctuation marks. It will be available in five LEGO colours and will also include three base plates and a brick separator.

“We are thrilled to launch the first wave of the LEGO Braille Bricks program and get the toolkits into the hands of children,” says Stine Storm, Senior Play & Health Specialist at the LEGO Foundation. “Throughout the testing and pilot program, we have received overwhelming support and positive feedback from children, parents, teachers and partner organizations who have experienced the LEGO Braille Bricks and see the potential of these toolkits to encourage learning in a new and exciting way. The possibilities for learning through play are endless, and we look forward to seeing how this can inspire children in their journey to learn braille.”

The concept behind LEGO Braille Bricks was first proposed to the LEGO Foundation in 2011 by the Danish Association of the Blind and again in 2017 by the Brazilian-based Dorina Nowill Foundation for the Blind. Since then, it has been further shaped in close collaboration with Blind communities in Denmark, Brazil, UK, Norway, Germany, France and USA, where testing was conducted in two waves over the course of nearly two years. The first wave of LEGO Braille Bricks is now rolling out in those same countries and will launch in 13 additional countries in early 2021, including Australia, Austria, Belgium, Canada, Finland, Ireland, Italy, New Zealand, Portugal, Spain, Sweden, Switzerland, and the Netherlands.

Apesar desta iniciativa não ser propriamente uma novidade, este press release dá-nos uma perspectiva geral do que está a ser feito (bom ouvir que está para breve em Portugal). Pessoalmente e como professor nunca tive a oportunidade de trabalhar com invisuais, condição que torna o ensino diferente do que estou habituado. Vejo esta iniciativa com interesse e creio que irá potenciar o trabalho de muitos professores bem como a evolução de muitos alunos.

Junto do kit deste press release foi distribuído também este vídeo da LEGO. Apesar de não trazer nada de novo para quem está intimamente ligado à educação actual mostra uma realidade bem diferente do estabelecido como normal em Portugal (cujo o ensino, apesar de algumas iniciativas divergentes nos últimos tempos, está praticamente direccionado para os exames de final de ciclo e acesso ao ensino superior). Pessoalmente acho cada vez mais importante o acto de brincar. Sim, brincar. De preferência com qualidade e tempo e sem ser um subterfúgio propositado para aprender algo.

O acto de brincar deve ser natural e, principalmente, descomprometido. A criança pode ser orientada, mas deve acima de tudo seguir os seus instintos, necessidades e gostos.

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publicado às 11:02

Mas será a LEGO uma empresa Europeia?

por baixinho, em 27.07.20

Claro que é uma empresa europeia. É detida por uma família danesa e o seu quartel general fica mais ou menos no centro da Jutlândia, uma região realmente plana da Dinamarca.

No entanto o título é mesmo para chamar a atenção para um sentimento que me anda a incomodar há já algum tempo e que dois acontecimentos recentes o fez ainda mais notável aqui no meu cérebro. O anúncio do lançamento do tema Monkie Kid (yeah, hoje não me enganei) em Maio passado e a recente retirada do mercado do 42113 Bell-Boeing V-22 Osprey.

Mas antes de me lançar na catarse deste sentimento que me incomoda vai aqui uma pequena declaração já que este tema pode, de alguma forma, levar a outros mais polémicos e polarizadores. Não é de todo minha intenção exacerbar nacionalismos nem, pelo outro lado, defender globalizações. A minha posição é sempre prudente quanto as estes temas, a globalização será com o tempo inevitável no entanto não acho que deva apagar do mapa qualquer das culturas civilizacionais que existem no mundo. Basicamente, nem 8 nem 80.

Portanto espero que este artigo não leve para questões que não interessam a este blog já que neste local a única política (comercial?) que interessa é mesmo a da empresa LEGO.

Voltando aos acontecimentos recentes que me fizeram abordar este tema. O lançamento do Monkie Kid apanhou-me algo de surpresa e apesar de ser um tema que me passa completamente ao lado, o tema em si fez-me levantar as antenas. Não ponho em causa a estratégia comercial da LEGO em criar um tema com o propósito de agradar o público de um mercado em que quer crescer. Já o fez (ou acham que o Star Wars e a senda de temas licenciados era para agradar quem?) e com certeza voltará a fazê-lo quando for necessário. Yah, se calhar até me despertaria mais interesse um tema para agradar povos indianos, africanos ou mesmo até centro e sul-americanos, do que propriamente uma mitologia (?) chinesa que nunca ouvi falar. Portanto o que me incomodou não foi o aparecimento de um tema claramente para agradar o mercado chinês. O que me incomoda é não aparecer um tema que seja marcadamente para agradar o mercado europeu. Ok, claro que aqui poderão começar a reclamar que existe o City e Friends que são temas claramente ocidentais, ao qual eu respondo: Ocidentais, não europeus já que existem várias características de ambos que os puxam mais para o outro lado do Atlântico que outra coisa. No City a agressividade do conflito polícias vs ladrões é cada vez maior e segue em linha com a visão geral do que é (ou deve ser) uma força de segurança pública nos EUA e não na Europa.

As personagens do Friends são claramente o ideal feminino norte-americano e não europeu. Se acham que estou a exagerar, vejam um ou dois episódios de uma qualquer série juvenil da Disney (sim, aquelas dobradas) para verem do que é que estou a falar. Poderão também começar reclamar que os temas clássicos são europeus e eu digo, pois.. City tornou-se no que falei acima; Space quando era declaradamente de exploração, talvez sim já que remetia claramente a uma determina série de ficção científica britanica dos anos 70, mas chegando aos anos 90s as coisas ficaram claramente americanizadas; Castle, sim, claramente europeu, mas onde ele está? Aconteceu o mesmo com o meu querido Adventurers que até roçava numa característica bem europeia, o colonialismo (ok, agora devo ter exagerado :D); Pirates.. ahh, apesar de ser povoado principalmente por europeus (errr, algo colonizadores), anda às voltas nas Caraíbas que, exacto, é bastante próximo (e grande local de férias) dos norte-americanos; Western, ops, este nem vale a pena falar :D. Ah, e o pessoal lembra-se agora das coisas para adultos, o que é agora o 18+ e a linha Architecture. Aqui já temos coisitas que andam à volta do mundo todo...

Todo não que a África e América a sul do muro do Trump continuam a ser monumentalmente ignoradas. Além de que o que interessa para este artigo são os temas correntes e não os dedicados a nichos (sim, apesar do agradável alarido do 18+, os AFOLs não são a parte mais importante do negócio da LEGO). Esses temas, os correntes, interessam mais para este artigo porque são esses mesmos que podem ajudar a moldar uma criança, os seus valores e a sua identidade. Sim, eu sei, no meio de tantos outros estímulos. 

Assim chego à segunda novidade que me fez levantar as antenas e que no fundo é um pequeno intervalo do tema principal deste artigo. A retirada do mercado do Osprey que apanhou toda a gente desprevenida, incluindo a equipa que o criou :).

Esta retirada deve-se à regra in-house que a LEGO tem em que diz qualquer coisa como não comercializar produtos com armamento actual. Antes de reclamarem com as pistolas Star Wars ou, bem pior, em conjuntos Batman ou outra ainda outras, devo dizer que a LEGO não considera os temas de fantasia e licenciados como “actuais”. Eu sei, é incongruente. Mas a LEGO é uma empresa, e não um estado, e as regras que ela decide para ela mesma só a ela lhe diz respeito. Os clientes que não gostam destas incongruências tem a melhor arma do mundo para mostrarem o seu desprezo. Não comprarem produtos à empresa.

Mas o que me levou a levantar as antenas não foram estas incongruências mas sim que eu sou mesmo a favor que a LEGO tenha este género de atitude (não vou dizer regra que parece um pouco mal de tão quebrada que é). Além de ganhar dinheiro uma empresa pode ter os seus valores e pode tentar transmiti-los. Então quando são valores que eu considero nobres, é ouro sobre azul. Tanto a Dinamarca como o seu mercado internacional inicial (uma boa parte da Europa) foi palco de demasiadas guerras e parece-me positivo pelo menos não vender algum tipo de representação de armamento mais realista. Não há um completo banimento (o que até seria contra-producente), mas também não há um achincalhar de uma memória ainda activa e que penso que não deve ser esquecida. 

Posto este aparte, só devo referir que abordo este assunto para mostrar que a LEGO é capaz de fazer prevalecer alguns dos seus valores em detrimento de um lucro fácil

Portanto custa-me cada vez mais que a LEGO não abrace temas claramente europeus para as suas linhas correntes. Temas que, culturalmente, estivessem próximos da nossa realidade europeia e que, de alguma forma, promovesse não só a nossa rica história, como também a nossa própria identidade e os valores que, ao longo dos tempos, espalhamos pelo mundo e que ajudaram a moldá-lo. Eu sei que posso estar a parecer demasiado “continentalista”, mas não estou a dizer que a LEGO deva deixar de fazer temas como o NinjaGo, Monkie Kid, Star Wars, Friends entre outros. Estou a dizer é que sinto falta de algo mais Europeu. É que não faltam temáticas, por norma históricas, de grande qualidade e com material para potenciar conjuntos durante anos (e sem estar sempre a repetirem-se continuamente como certos temas mostrando que já estão esgotados há muito..). Propositadamente sem imagens, posso falar da Grécia antiga que tem tanto na sua cultura como na sua mitologia que daria pano para as mangas de todo o exército chinês. Também falo da Roma antiga, com ou sem os gauleses bêbados de poção mágica, que é um período histórico incontornável e que, fruto de tantas séries e filmes, está na memória colectiva mundial. A idade média que já foi palco de vários temas LEGO, porque não mais um, mas desta vez pensado com profundidade para durar vários anos e não um one-shot anual. Sim, eu sei que no geral a idade média é pobreza e feudalismo, mas há sempre forma de aligeirar isso, nem que seja com as lendas arturianas. Falo também doutras épocas como o renascimento ou a revolução industrial, períodos históricos ricos não só de personagens como são bastante conhecidos nos países onde principiaram. Não, não me vou esquecer dos descobrimentos que é uma era que interessa não só aos portugueses como também aos espanhóis, italianos, franceses, ingleses, holandeses e por aí a fora. Período que não se deve esgotar ou confundir com o genérico Pirates! Antes de dizer que com certeza haverão outros temas europeus interessantes, não devo de deixar de referir os Vikings, uma das maiores falhas no portfólio da LEGO (yah, eu sei que há uns quinze anos tivemos uns poucos, mas foi um tema muito mal explorado).

Eu sei que posso estar a parecer demasiado demagogo ou até idealista, mas não me parece ser uma iniciativa assim tão difícil. A LEGO lança vários temas por ano, alguns tão “esquecíveis” que já se sabe que são para durar um ou dois anos. Não me peçam para enunciá-los porque já me esqueci deles :). Acredito mesmo que se a LEGO investisse num tema mais europeu, o sucesso seria igual ou maior que esses temas efémeros. Além de que nesta altura (e nos tempos futuros) acho que estamos todos a precisar que a identidade europeia seja promovida. Principalmente entre as próprias crianças europeias. 

 

Ps. Ah, já agora, quando forem a uma papelaria comparem as temáticas gerais das revistas da LEGO e da Playmobil.

PPs. Ia ilustrar este artigo com algumas fotos deste projecto. Não o consegui fazer porque as imagens estão hospedadas num url sem https, no entanto fica aqui o link.

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publicado às 13:00

O fenómeno das instruções de MOCs

por baixinho, em 13.07.20

Desde que me lembro como AFOL, que existem instruções para MOCs. Sejam disponibilizadas gratuitamente, sejam através de venda (por vezes apenas as instruções, por vezes acompanhadas pelas peças e até às vezes com direito a caixa e tudo), a verdade é que esta faceta do hobby evoluiu imenso.

Lembro-me perfeitamente que no início do século havia pessoal que disponibilizava ficheiros LDR (LDraw) das suas criações e que assim seria fácil para qualquer um replicar. Lembro-me também dos primeiros passos do Daniel Siskind na venda de "conjuntos" seus e que até um deles deu origem a um set oficial, o 3979 Blacksmith Shop. Apesar de limitados e, para o meu bolso, bem caros, o Daniel teve sucesso e ainda continua com o Brickmania.

O hobby foi evoluindo e também este fenómeno. Algures em 2008 já se começava a sentir no próprio Bricklink e até lancei esta sondagem no Fórum 0937. Quem segue este blog também deve ter reparado em vários sites pessoais de vendas que por vezes vou destacando. No entanto o site mais notável é mesmo o Rebrickable que começou como um site que nos dizia que sets poderíamos construir com o nosso acervo de peças. No entanto a disponibilização de instruções (seja gratuitamente, seja em troco de dinheiro) começou a ganhar relevo e, pessoalmente, julgo que é agora a maior faceta desta plataforma.

Com estes desenvolvimentos até eu próprio considerei a venda de algumas instruções. No entanto e apesar de já ter disponibilizado LDRs, nunca avancei. Vou contentando-me com a rubrica "Desconstruir" que tenho no Youtube onde explico alguns dos segredos dos meus MOCs bem como as instruções que vou disponibilizando na conta de Instagram da Caixa de Brinquedos, entidade onde trabalho.

No entanto apesar de ter sempre achado curiosa esta actividade de venda e/ou disponibilização de instruções de MOCs, a verdade é que os seus efeitos estão, de alguma forma, a mudar seriamente o próprio hobby.

Mais do que coleccionar este hobby assenta a sua identidade no acto de construir.. e principalmente na faceta de criar. Criar é o desafio supremo quando queremos determinada "coisa" em LEGO e é também o que torna este hobby em algo único.

No entanto cada vez fico mais com a sensação que além da dictomia "coleccionador/criador", que sempre tiveram as suas fronteiras esbatidas pelos muitos AFOLs que entravam nos dois lados, está a aparecer uma terceira facção constituída pelas pessoas que fazem do construir MOCs alheios uma componente muito forte do hobby LEGO. Esta sensação é também acompanhada com o feeling de que esta nova facção é praticamente constituída por AFOLs oriúndos do coleccionismo.

Se não vejo grande mal nesta nova facção (apesar de sempre haver aquele pessoal irritante que mostra as construções sem indicar o autor original) a verdade é que está a mudar o panorama geral do hobby. Basicamente pela Internet cada vez notam-se menos as construções originais e mais os sets e MOCs comprados. É uma tendência que é oposta aquilo que eu tanto gosto no hobby, a criatividade. Quase que apela à preguiça de criar menos e comprar já feito. :/

Claro que isto tudo pode ser apenas uma sensação errada ou demasiado alarmista, mas fico curioso quanto ao futuro do hobby quanto a esta característica.

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publicado às 13:00

Questões de iluminação

por baixinho, em 08.07.20

Comparing lighting

Além de adorar construir com peças LEGO, tento sempre tirar boas fotografias aos MOCs que vou completando. Apesar de ter várias noções de fotografia (um dos meus primeiros empregos foi ligado a essa área), nunca enveredei pela área de forma a torná-la um hobby ou sequer sentir-me confortável com os vários truques para uma boa fotografia. Portanto vou seguindo conselhos de amigos e lendo pequenos tutoriais como este excelentemente criado pelo Rupi, já que digo que uma boa fotografia é essencial para a apresentação de qualquer construção LEGO.

Um dos problemas que sempre atormentou-me foi a questão da iluminação. Coisa que se agravou com a criação de pequenos MOCs com instruções para o meu trabalho (ver aqui) e com a gravação de vídeos para o meu canal de Youtube. Nos últimos meses tenho utilizado o alpendre da casa onde vivo para fotografar. Como é orientado para norte, raramente tem luz directa mas ao mesmo tempo tem bastante luz. O resultado, apesar de considerar satisfatório, estava áquem do que pretendia além de que prejudicava claramente o visionamento. 

Por isso decidi pedir conselhos ao Alexis "tkel86" Santos que me sugeriu um sistema de iluminação composto por caixas de luz, sombrinhas, tripés, telas entre outros acessórios. Claro que comprando no Aliexpress para ficar a uma fracção do preço habitual.

O sistema chegou ontem e apesar de um contratempo (uma das lâmpadas vinha partida) e ,como podem ver na fotografia acima, já o experimentei e o resultado é mesmo muito bom! A imagem da esquerda foi tirada no tal alpendre que falei acima, a fotografia da direita tirei ontem já com o sistema de iluminação montado.

É que além do efeito geral ser melhor, como há mais luz ambiente a fotografia fica com um ISO mais baixo o que resulta em menos grão, as cores ficam mais vivas resultando num contraste melhor e as sombras ficam mais esbatidas. Aproveitei e também fiz um pequeno vídeo (para uma nova rúbrica no meu canal de Youtube) e o resultado também é muito melhor.

Fiquei fã!

Agora tenho vontade de tirar novamente fotografias a MOCs e sets!

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publicado às 18:00

As sete vidas da Lepin

por baixinho, em 06.07.20

What. The. Hell? Lepin Fiat 500 F by Saabfan

Já ando para postar sobre isto há meses.. mas vai sempre passando.

Depois de se ter noticiado que a Lepin tinha sido condenada no tribunal e praticamente colocada moribunda em várias rusgas policiais, assistimos ao seu regresso nos últimos meses. Primeiro com outros nomes mas aos poucos com o nome que a tornou conhecida.

Como já referi neste extenso post, não me preocupa o aparecimento de marcas de jogos de construção compatíveis com o sistema da LEGO. Preocupa-me sim o roubo de propriedade intelectual, seja de peças ainda sobre patente, sejam sets e/ou MOCs ou sejam licenças não negociadas.

Fora a polémica inútil sobre se o Fiat 500 da LEGO (set 10271) foi ou não copiado do MOC do Grabrielle (bem, são tão diferentes tendo em conta a mesma inspiração.. e o da LEGO é mesmo melhor), a "piada" foi aparecer a Lepin a vender a versão do AFOL italiano.

Agora vocês perguntam-se: Mas se calhar o italiano cedeu/vendeu o desenho?

Nahh, reparem bem na imagem acima onde aparece  "@SaabFan: Contact us for an offer money for your working design" (SaabFan é o nick do Grabrielle).

Claro que os mais "do contra" poderão afirmar: "o italiano não se pode queixar, eles oferecem dinheiro!!".

Bem, não é propriamente uma oferta.. e está a passar por cima de algo simples e básico. A opção do Grabrielle dizer não.

Além de que não sei até que ponto a imagem do Fiat 500 é da própria Fiat...

Portanto meus amigos, vamos continuar a ter algumas marcas indecentes que para além de roubar (sim, volto a dizer, isto é roubar) mancham a próprio panorama das marcas de brinquedos de construção, principalmente as de origem chinesa. Nem todas fazem isto e levam por tabela.

É pena porque o desenvolvimento de outras marcas fará, com certeza, que acelere o desenvolvimento da própria LEGO.

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publicado às 13:00

Caixa de jogos

por baixinho, em 15.05.20

Lego IDEAS The Game Box

Ora aqui está uma coisa que penso que existia em qualquer lar com crianças nos anos 80. Um jogo que na verdade continha componentes para se jogar vários dos jogos de tabuleiros mais conhecidos (e que não tinham propriedade intelectual).

Como tenho vários irmãos e na rua em que vivia haviam várias crianças na minha faixa etária, era normal juntar-mo-nos para brincar, na rua se tivesse bom tempo (ou assim-assim) ou na casa de um de nós no caso de chuva. Nas casas haviam sempre jogos de tabuleiro e de cartas para preencher as tardes, sejam os mais básicos como os representados neste MOC do Armored Bricks, sejam os mais comerciais como o Monopólio ou o Scrable, ou até mais obscuros como o Espaço 235, Bolsa ou Estrela Africana. Sim, papel e caneta também serviam para o Stop, o Batalha Naval e outros que caíram no esquecimento. Isto era apenas o topo do iceberg dos jogos que passaram pela minha infância e, acredito eu, a infância de muitos outros.

Sim, também havia LEGO. Mas era reservado para brincadeiras mais solitárias. Penso que todos na rua tínhamos algumas peças LEGO ou até outros brinquedos de construção, no entanto foram raras as vezes que serviram para brincadeiras em grupo. Era um brinquedo para os momentos mais a só. Não perguntem porque isso acontecia. Talvez porque fosse um brinquedo caro/raro e houvesse medo, tanto pelos pais como pelas próprias crianças, de ser perdido. Talvez o próprio brinquedo apele a brincadeiras a solo. Ou talvez esteja a ser um pouco selectivo nas minhas memórias ou a ver apenas uma das realidades :)

Lego IDEAS The Game Box

Estranhamente enquanto adulto vejo o brinquedo LEGO também como ferramenta social. Apesar da sua vertente solitária, dou-lhe um carácter social bastante vincado ao hobby. Mal comecei a comprar sets e construir os meus primeiros MOCs, tratei de partilhar as minhas criações. Fundei um LUG (grupo de utilizadores de LEGO), criei este blog, fundei ainda outro LUG, participei e organizei eventos, concursos e estive presente de várias formas em muitas outras actividades que envolveram as peças LEGO e pessoas, muitas pessoas. Portanto, um hobby que pode ser considerado essencialmente solitário pode ter uma boa componente social.

Quanto a este MOC do Armored Bricks que despertou imensas memórias, é relativamente básico e de construção simples. No entanto acho que é isso mesmo que pede, já que os jogos da altura também o eram. A ideia da caixa e a representação de cada um dos jogos é perfeita e mais que suficiente.

Lego IDEAS The Game Box

Apesar de actualmente adorar jogos de tabuleiro, sou incapaz de jogar qualquer um destes jogos. Aliás, alguns deles até abomino. O panorama dos jogos de tabuleiro evoluiu imenso nos últimos anos criando uma espécie de fronteira entre um antes e um depois do ano 1995. Mas isso são outras histórias.

 

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publicado às 08:44

Sobre as outras marcas

por baixinho, em 07.02.20

É um facto, a presença de outras marcas de brinquedos de construção está cada vez mais forte junto dos AFOLs.

Mas antes de emitir a minha opinião sobre estes desenvolvimentos, aqui fica um pouco de contextualização.

Apesar da LEGO ser a maior marca de brinquedos de construção, não foi a primeira a utilizar blocos de construção nem a primeira a utilizar as dimensões que tão bem conhecemos. Fica aqui um excelente vídeo do JangBricks com um pouco da história dos brinquedos de construção do século XX.

Apesar de não ter sido a primeira, a verdade é que a LEGO teve imensos méritos. Qualidade nos produtos, a invenção dos tubos inferiores que possibilitou mais conexões, inovação de várias peças e, possivelmente um dos mais importantes aspectos, o system of play, ou seja, a visão dos produtos de forma integrada.

Com o sucesso da LEGO nos anos 60 e 70, multiplicaram-se as marcas com sistemas similares. Eu próprio brinquei em criança com alguns deles. Dos que me recordo, a espanhola Tente e a portuguesa Pino, mas haviam muitos mais!

Claro que em termos de qualidade e versatilidade, a peças LEGO eram as mais importantes nas brincadeiras lá de casa. Os outros blocos de construção como surgiam de uma ou outra prenda, nunca conseguiam ganhar muito espaço já que eram em menor número e não eram compatíveis.

Após as dark-ages, por volta do início deste século, a minha atenção focou-se apenas na marca LEGO. Na altura a patente dos tubos inferiores já tinha caducado e a LEGO lutava pelos direitos da imagem do brick 2x4. Obviamente foi questão de tempo até perder esses direitos e outras marcas poderem utilizar livremente as dimensões de peças que a própria LEGO foi copiar da Kiddicraft, criando assim um standard. Isso veio propagar os brinquedos de construção compatíveis, algo que anima o mercado e dá a possibilidade dos clientes escolherem entre várias marcas utilizando todas um mesmo sistema.

Sim, apesar de ser um AFOL (adult fan of LEGO), reconheço que a existência de outras marcas traz competitividade e diversidade desde que... respeitem a lei.

Ou seja, basicamente penso que é bom que existam outras marcas de brinquedos de construção que utilizem o mesmo sistema que a LEGO, desde que não utilizem peças cuja patente ainda não caducou (pelo que sei a LEGO não patenteia a maior parte das peças que cria, apenas o faz quando originam um sistema novo); ou sejam falsificações não autorizadas de sets já existentes, licenciados ou não; ou utilizem desenhos não autorizados (por exemplo de AFOLs ou de IPs em que não houve negociação de royalties).

A própria LEGO já copiou peças que existiam em outras marcas. Claro que vão jurar a pés juntos que é coincidência mas, por exemplo, a double cheese e até a minha querida plate round1x2 já existiam noutras marcas antes de a LEGO as utilizar.

Portanto sou terminantemente contra as marcas que roubam (não há melhor palavra para descrever isto) desenhos de sets à própria LEGO ou a AFOLs ou até lancem conjuntos e/ou minifigs inspirados em IPs (sejam filmes, séries de TV, etc) onde não houve autorização pelos proprietários dos direitos.

As restantes marcas que respeitem as leis, olho-as como alternativas válidas. Pessoalmente e, friso, actualmente não entram no meu campo de interesses. O mundo à volta da marca LEGO já é tão vasto que simplesmente excede a minha capacidade de atenção. De vez em quando tropeço em conjuntos e até iniciativas de outras marcas e, tenho que confessar, estão cada vez mais ousadas a nível de desenho de conjuntos.

Com o aumento inegável da qualidade das peças de outras marcas, com o lançamento de conjuntos cada vez mais elaborados e chegando a temas mais queridos dos AFOLs (por exemplo os militares) não é difícil de imaginar que as outras marcas vão ganhar espaço neste nicho. Provavelmente o próprio termo AFOL vai, muitas vezes, ser substituído por AFOBT (Adult Fan of Building Toys) ou algo do género.

Por isso não consigo imaginar outra razão para a compra do BrickLink que não seja a protecção de um grande mercado estabelecido. 

Os próximos anos serão extremamente interessantes para observar os vários desenvolvimentos que este assunto irá provocar no fenómeno AFOL!

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publicado às 13:00

The LEGO Movie 2 - Opinião

por baixinho, em 06.01.20

The LEGO Movie 2 - Microscale Spaceships

Vi ontem o The LEGO Movie 2.

Yeps, sou um desnaturado. Mas a verdade é que depois do entusiasmo inicial com o primeiro filme, o interesse diminuiu imenso. Talvez para isso tenha contribuído um argumento que até estava muito interessante mas que a execução torna-se um muito irritante depois de se ver duas ou três vezes devido à acção demasiada eléctrica.

No segundo a acção deixa de ser tão eléctrica para quase entrar numa onda de musical pop.. o que sinceramente ainda me desagrada mais. O argumento é mais rebuscado e duvido que os mais novos o entendam. Gosto das mil e uma referências à cultura pop que fazem empalidecer até uma Comic Con mas não são suficientes para tornar filme interessante.

No fundo é um filme engraçado para AFOLs mas duvido que cause grande interesse aos interessados na sétima arte.

Imagem de BrickinNick.

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publicado às 07:14

So long, Flickr

por baixinho, em 09.12.19

So Long, Flickr

E chega àquela altura do ano em que tenho que decidir se mantenho a conta pro no Flickr ou deixo-o de vez. Chris Maddison não teve muitos problemas em decidir, no entanto comigo as coisas não se passam bem assim.

Pessoalmente nunca achei o Flickr a plataforma perfeita, principalmente por ser de carácter generalista. Claro que sempre tive o Brickshelf e o MOCPages disponíveis, mas o interface de ambos já é pré-histórico e apesar do último ter um cheirinho, faltou sempre uma componente forte de rede social. O Flickr cobria isso tudo, o interface foi sempre moderno (às vezes se calhar demais) e sempre teve uma comunidade AFOL potente.. só pecava por ser mesmo generalista.

Sim, há mais uma ou outra plataforma mais recentes para hospedar imagens para AFOLs, mas parecem-me demasiado incipientes em termos de AFOLs presentes e com um interface que ainda me estranha. É que apesar de todos os defeitos que apontam ao Flickr, é inegável a forma excelente como trata as imagens. Algo que não acontece com o Instagram e o Facebook, apontados como alternativas pelo autor da foto acima.

Sem falar que se acuso o Flickr de generalista, nem sei o que dizer do Instagram e do Facebook :)

Portanto, estou inclinado a ficar mais um aninho no Flickr porque, além de tudo, também serve de suporte às fotografias que vou utilizando no blog.

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publicado às 07:49

A bomba! A LEGO compra o Bricklink!! (parte 2)

por baixinho, em 27.11.19

Ontem às 13h a LEGO tornou pública a compra do Bricklink através de vários canais e ao mesmo tempo o Brickset e o The Brothers Brick (provavelmente os dois maiores sites com notícias sobre LEGO) avançaram com a mesma notícia mas com duas pequenas entrevistas a uma funcionária da empresa, Julia Goldin, Chief Marketing Officer for the LEGO Group.

Essas entrevistas (link e link)pouco esclarecem quanto ao futuro do Bricklink já que muitas respostas caem no para já não temos intenções de mudar e o nosso objectivo é fortalecer as nossas relações com os fãs adultos.

No entanto a entrevista do TBB foi mais incisiva em alguns aspectos. Se a resposta sobre a questão da SohoBricks foi algo vaga, já a resposta à questão às marcas de acessórios para minifig (e não só) já me pareceu mais precisa. 

Claro que com este tipo de respostas onde fora um pormenor ou outro parece não haver grande vontade em mudar, referindo mesmo que o Bricklink vai manter alguma da sua independência e até o quartel general na California, faz pensar se a LEGO se calhar até está a ser honesta quando diz que quer continuar com a visão do Dan Jesek, falecido fundador do Brickbay que mais tarde mudaria o nome para Bricklink. Ser um site sobre peças LEGO.

É que vários pequenos pormenores nos últimos tempos poderiam indicar que o Bricklink estava a ser preparado para suportar outras marcas. Outras marcas que poderiam estar além da Brickarms e similares ou mesmo a Sohobricks e assim contaminar aquela que é, talvez, a maior comunidade de fãs da marca. Esta compra pode ter sido para simplesmente evitar isso.

Claro que este negócio não deve ter representado um investimento assim tão grande para as contas da LEGO (e, já agora, também do vendedor) e duvido que esteja muito preocupada com os lucros que advirão do Bricklink. Portanto duvido que a LEGO quererá aplicar muitas mudanças no Bricklink além daquelas que choquem de frente com as suas políticas (caso do Brickarms e afins) ou estratégia global.

Um assunto que, com certeza, ainda vai dar muito que falar e que provavelmente voltará aqui ao blog.

 

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publicado às 13:00

A LEGO anda com falta de ideias?

por baixinho, em 16.08.19

O anúncio do lançamento do set 71044 Disney Train and Station fez-me pensar em algo que me anda a incomodar há já algum tempo. É que o set é bonito e interessante mas pergunto-me se necessitava ter a chancela da Disney. Sim, eu sei que é baseado numa estação e num comboio que existem num dos parques Disney, no entanto essa mesma estação e esse mesmo comboio são genericamente baseados em estilos já existentes e que já foram retratados em imensos filmes, séries de TV, bandas desenhadas, etc o que os torna algo próximo da apropriação comum. Vou mais longe, se a LEGO lançasse este conjunto sem referências à Disney e o incluísse num tema, por exemplo, de Western ou algo genericamente algo ligado à América no Século XIX, será que alguém se lembraria que um parque Disney tinha algo do género? A LEGO estaria basicamente a inspirar-se no original, algo como a Disney fez.

A partir desta pergunta e pensando nos últimos grandes sets da LEGO, reparei que não me lembrava de nenhum que fosse não licenciado ou baseado em algo real. Lá fui dar uma vista de olhos ao Brickset (esta consulta ordenada descendentemente por número de peças) e nos dez maiores conjuntos* (ignorei o lindíssimo set lançado pelo Bricklink), apenas dois são ideias originais da LEGO. O 70840 Welcome to Apocalypseburg! e o 70839 The Rexcelsior são do filme The LEGO Movie 2 em que o IP é propriedade da Warner (e não da LEGO como muita gente pode pensar). O 42100 Liebherr R 9800 e o 42110 Land Rover Defender são representações de veículos reais. O 75936 Jurassic Park: T. rex Rampage e o 75810 The Upside Down são baseados num filme e numa série. O 71044 Disney Train and Station também está lá em conjunto com o 21318 Treehouse que é baseado numa ideia de um AFOL. Restando apenas o 10264 Corner Garage e o 42098 Car Transporter.

Todos estes conjuntos são bons. Uns excelentes, mas todos claramente acima da média. Mas uma percentagem de 80% de sets com IP mostra claramente uma tendência onde a LEGO opta (pressionada ou não pelo mercado) em ocupar uma boa parte das estantes com produtos com um desenho não oriundo do seu quartel general.

Como referi acima, isto pode ser mesmo consequência da procura. Reafirmo também que também não vejo mal em a LEGO ter algumas linhas ou produtos licenciados. Algumas.

No entanto esta proliferação de sets e temas licenciados ou baseados em algo que já exista faz com que a oferta da LEGO seja cada vez mais variada e desconexa provocando um ir e vir de temas que dificultam a consolidação da imagem da própria marca. Parece que temos sempre a LEGO associada a qualquer coisa e que não se consegue suportar sozinha criando, assim, a impressão de algo disperso entre várias pequenas marcas.

Acho muito mais útil para os AFOLs (sejam construtores ou coleccionadores) os temas in-house com uma presença forte ao longo do tempo como os modulares, a feira popular e o Winter Village do que sets ou temas soltos que rapidamente ficam esquecidos tantos da memória como das prateleiras lá de casa.

Claro que a LEGO responde às pressões do mercado.. mas será esse o caminho correcto a longo prazo?

Algo para ir apreciando ao longos dos próximos anos.

 

 

* Tinha que limitar a pesquisa/análise de alguma forma e optei por considerar que os 10 maiores conjuntos deste ano eram uma boa amostra do que a LEGO fazia actualmente a pensar nos clientes mais adultos.

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publicado às 13:45

Quinta das actualidades: 12 projetos qualificados no LEGO Ideas

por baixinho, em 12.01.17

Começo hoje esta rubrica de actualidades sobre o mundo LEGO. A ideia é todas as semanas escrever sobre um assunto recente não só noticiando mas também dando a minha opinião. Claro que o objectivo desta rubrica é duplo. Em primeiro lugar porque penso que irá tornar o blog mais actual e abrangente já que ultimamente tem-se centrado nas minhas actividades e nos destaques de construções que me chamam a atenção. Em segundo porque também me obriga a ter em atenção muitos dos assuntos que me escapam, muito provavelmente aos muitos anos de hobby e cansaço das muitas notícias que, de alguma forma, já se tornam cíclicas.


Começando:


 


No passado dia 9 a LEGO listou no blog do Ideas mais doze projectos que estão na fase de análise (a terceiro lote de 2016). Ainda falta algum tempo para sabermos se algum destes projectos serão elevados à condição de set LEGO e, pessoalmente, até ficaria contente se isso acontecesse com um ou dois deles. Seguem-se as imagens dessas construções com breves comentários.





Boat Repair Shop (by RobenAnne)


Projecto curioso, interessante e que, acredito eu, ficaria muito bem à beira do Old Fishing Store que está previsto sair no Ideas lá mais para o final do ano. Claro que se eu vejo nisso uma vantagem, penso que a LEGO verá uma desvantagem e olhará para esta construção como algo redundante no mercado. Espero estar enganado.





Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. "The Bus" LEGO Set (by Savath_Bunny)


Não acho que seja um projecto interessante (em conjunto com praticamente todos os outros projectos baseados em licenças (IP) que a LEGO já possui) já que o veículo é todo negro e estupidamente quadradão. É a prova viva que “qualidade” não é um critério para chegar aos 10000 apoiantes. Ainda bem que a LEGO tem a fase do review de projectos.


 



Hulkbuster UCS (by Raychow)


Incluo este projecto no lote do anterior apesar de ser muito mais apelativo. Se a LEGO quisesse fazer um Hulkbuster deste género, simplesmente já o teria feito e não esperaria pelo Ideas.


 



Lego Store Modular Version (by kashaka)


Ora aqui está um projecto desconcertante. Se por um lado não acrescentaria nada aos conjuntos LEGO, por outro poderia ser um pequeno modular interessante para encaixar no meio dos “oficiais”. De qualquer forma acho que o Ideas tem coisas bem mais interessantes para produzir.


 



Red Dwarf Lego (by Legobob32)


Cheguei a ver alguns episódios desta hilariante série mas não consigo descortinar o interesse do conjunto. Ok, era capaz de ficar bem junto do Dr. Who e do The Big Bang Theory.. Portanto, é mesmo dirigido para os fãs da série e para os coleccionadores do Ideas.


 



Landrover 4 x 4 (by Dadandlad)


Eu sei que o Landrover tem um aspecto quadradão, mas este modelo exagera. Poderá ser um projecto interessante (não para mim) a virar set oficial já que iria acompanhar vários conjuntos existentes.


 



Volkswagen Golf MK1 GTI (by hasskabal)


Outro automóvel quadrado que origina um comentário igual ao do anterior.


 



Vintage Tram (by kevinszeto)


Segui com curiosidade este projecto, já que representa um eléctrico do Porto. Claro que está a léguas do construído pelo Rupi  há uns anos atrás, mas mesmo assim seria uma honra para os AFOLs portugueses.


Gosto especialmente do “from the creator of Beatles Yellow Submarine”, como se a construção original fosse algo de mais (esperar pelo último parágrafo).


 



1950's Diner (by pix027)


Projecto original e interessante e, sinceramente, estranho que tenha chegado aos 10000 apoiantes. Não o acho propriamente bem construído mas acredito que iria acrescentar algo ao mundo LEGO, já que não vejo nada deste estilo desde o 10184: Town Plan.


 



Ship In A Bottle, The Flagship Leviathan. (by JakeSadovich77)


Duvido que seja possível construir algo assim dentro dos parâmetros de produção da LEGO, mas seria sem dúvida alguma um set interessante. Mesmo assim vejo-o mais como um bom MOC que um possível conjunto.


 



UCS Rey´s Speeder (by Robert Lundmark)


Sério? De certeza que a LEGO se quisesse fazer algo assim, já não teria ela próprio feito?


 



The Iron Giant (by BrettCuv)


O filme tem a sua piada e o projecto também. Penso que daria um set muito interessante e acho que, em termos de técnicas de construção, este é o projecto mais interessante dos doze. Ficaria muito impressionado se virasse set oficial.


Ok, sei que disparei a torto e direito para a falta de qualidade de vários dos projectos. Mas sinto que cada vez mais os projectos chegam aos 10000 pela ideia e não pelo desenho em si. Algo como aconteceu com o Yellow Submarine, já que a diferença entre o produto oficial e o projecto é abismal, ganhando o primeiro aos pontos!



Não deveria ser ao contrário? Já que quando se constrói um projecto (MOC) não estamos limitados às mil e uma regras de produção da LEGO!


 


Como sempre, podem comentar aqui ou no Facebook!!

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publicado às 18:37

Sobre o LEGO Ideas

por baixinho, em 06.01.17


Quando apareceu o LEGO Factory, na década passada, fiquei super entusiasmado. Além de puderes construir no LEGO Digital Designer e no fim ter a possibilidade de encomendar as peças para o modelo (sim, o LDD apareceu com esta finalidade), também podia-se navegar por uma galeria de construções e encomendar o trabalho de outros AFOLs.


Mas nem tudo era perfeito. O processo era relativamente caro*, com uma logística difícil e, talvez logicamente, o processo foi encerrado uns anos depois. Um dos pregos foi com certeza o aparecimento do LEGO CUUSOO que mais tarde daria origem ao Ideas.


O Ideas é um sonho para qualquer AFOL. Construir um MOC que se pode tornar num set oficial é, sem dúvida alguma, um dos grandes pontos que um AFOL pode atingir.


Além disso, a própria plataforma (o site) tornou-se num abrigo para uma comunidade de fãs onde existem sinergias próprias de um grupo.


Claro que este tipo de iniciativa levou ao abuso por parte de alguns fãs (não refiro propositadamente a sigla AFOL) tanto na quantidade e qualidade das propostas como nos pretensos direitos. A constante inundação de vários sites de Internet a pedir suporte aos projectos também irritou uma boa franja de AFOLs, já que viam (e vêem, apesar do fenómeno ter acalmado), como um pedinchar para obtenção de lucro e não como uma acção salutar e vulgar num hobby.


Claro que a própria LEGO foi (e vai) limando o programa e a evolução é notória. Pessoalmente fiquei entusiasmado no início e confesso que algo decepcionado na forma como a comunidade reagiu/abusou do programa. No entanto devo reconhecer que os sets lançados através deste programa são interessantes e mais que tudo, originais. Originais mais na sua abordagem, já que quase todos são baseados em licenças (propriedades intelectuais) de terceiros.


Olho sempre com interessante para os novos sets do tema e até possuo alguns deles. Tenho também alguns na minha wishlist, como por exemplo o lindo Yellow Submarine.


Apesar de ainda não conseguir achar que o programa esteja a 100%, espero que continue. Com o tempo também parece que os fãs comportam-se melhor e não façam constantemente flood com as suas propostas.


 


* Quando construiamos e encomendavamos as peças a colocação das peças na encomenda era feita com saquetas com contéudo pré-definido. Ou seja, podiamos fazer um MOC de 80 peças e termos que "comprar" 400, já que essas peças estavam distribuidas por saquetas diferentes com outras peças que não nos interessavam.

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publicado às 13:54

MOCs destacados no Facebook

por baixinho, em 10.11.16

Nightmare Before Christmas



Como construtor de MOCs gosto de apresentar as minhas construções com o objectivo primordial de receber algum feedback. Desde o simples reconhecimento do favorito no Flickr até aos importantes comentários dos meus pares seja no Fórum 0937 (ou outro), no meu blog ou até no próprio Flickr. Penso que a maioria dos outros AFOLs que apresentam os seus trabalhos, também sigam os mesmos objectivos ou semelhantes.


Por isso fico algo irritado quando navego no Facebook* e dou com fotos de construções interessantes e nenhuma informação sobre o autor das mesmas. Nem um mísero link para a galeria no Flickr (ou Brickshelf, ou MOCPages, etc) ou sequer uma menção ao nome/nickname para se poder "googlar".


É que além de não conseguir dar o feedback ao autor da obra (de que serve fazer like ou comentar no Facebook na conta de alguém que não tem nada que ver com a construção?), também não posso ver outras fotografias da construção ou aplacar a curiosidade de ver outros trabalhos do homem.


Por isso pergunto-me, qual o objectivo de colocar MOCs no Facebook sem qualquer ligação à origem se nem o autor nem quem vê saí beneficiado? Louros para quem faz o post?


Pois, pessoalmente acho que nem quem faz isto sai beneficiado, já que, no meu entender, mostra um comportamento próprio de um ignorante.


Por outro lado temos o fenómeno de o autor apresentar os seus MOCs apenas no Facebook.. hum bom tema para um outro artigo aqui na LegOficina. :)


 


*refiro o Facebook porque é o local onde observo este fenómeno com mais regularidade, mas acredito que aconteça também, noutras redes sociais online.


**ahh, imagem de um excelente trabalho do português emigrado na Dinamarca, César "CesBrick" Soares.

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publicado às 16:53

Pirates

por baixinho, em 31.03.07
Até tenho algum receio de acordar a besta. ;)
Gostava de poder perceber alguns pontos, como:
1- É a cima de tudo saudosismo?
2- Se por acaso a Lego produzisse algum set Pirate e o colocasse na categoria Legends como exclusivo Sh@p, com um valor nunca menor de 150€, compravam?
3- Tenho algum receio que se a Lego se lançasse numa nova linha Pirate a coisa podia correr menos bem (tal como a nova linha Castle). Há muito que AFOLs falam da City Pirate, essa sim eu cá gostava bastante. A taberna, o porto manhoso, a praça central para as negociatas, os banhos, etc. E tu que dizes?
4-Pessoalmente não me cheira que a Lego se meta agora em Pirates, os vikings acabaram e entrou Espaço e Castelo.
De qualquer forma a comunidade mundial começou a pressionar. E nós, tugas, que temos a dizer?

Tânia Baixinho

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publicado às 19:17


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