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Terça-feira do Ideas: The Lisbon Tram

por baixinho, em 03.03.20

Estava muito bem a navegar pelo Ideas e até já tinha escolhido dois ou três candidatos para o destaque de hoje quando dou de caras com esta pequena preciosidade. Uma representação de Lisboa.

O conhecido Bricky_Brick deve ter andado por Lisboa nos últimos tempos já que nada faria prever um projecto deste género. Como sempre, aplica um estilo muito seu criando uma construção com técnicas relativamente simples mas com um sentido estético muito apurado.

Gosto deste projecto não só pelo orgulho de ver Lisboa representada, mas também pelo esquema de cores utilizado, aspecto geral e todos os recantos representados. 

Ahh sim, não esquecer os azulejos!!

Neste momento tem 470 apoiantes e ainda tem 423 dias para chegar aos 10 000. Aqui ficam as minhas previsões:

Chegará aos 10 000 apoiantes?

Boa pergunta, apesar do autor ter vários projectos que chegaram a essa marca, acho que depende ainda bastante se a ideia torna-se ou não viral.

Se chegar aos 10 000 apoiantes, a LEGO irá torná-lo num set oficial?

Espero que sim.

Além de ser um projecto bem interessante tanto a nível de resultado final como de peças disponibilizadas, seria interessante ter Lisboa num set LEGO.

Poderia também abrir um precedente, para o bem ou para o mal.

A ser um set oficial, entraria na minha wishlist?

Claro, que pergunta!!

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publicado às 13:00

10267 Gingerbread House, a entrevista ao Tiago Catarino

por baixinho, em 01.10.19

TCatarino.JPG

Não há duas sem três.

No seguimento das entrevistas realizadas ao César Soares e ao Marcos Bessa, aproveitei o anúncio do 10267 Gingerbread House para entrevistar o responsável pelo set, o português Tiago Catarino. Membro da Comunidade 0937 (ver galeria aqui) e LEGO Designer até julho passado.

 

Luís Baixinho Sabemos que fizeste parte da equipa que está dedicada ao tema Creator 3-in-1, mas também é verdade que te aventuraste em conjuntos mais "adultos" como o 10267 Gingerbread House e o 21313 Ship in a Bottle. Como é que surge a oportunidade de participar no desenho de conjuntos fora do teu tema? 

 

Tiago Catarino São duas histórias muito peculiares e não exemplificativas de como são as coisas por norma. No caso do Ship in a Bottle, ouvi dizer que andavam à procura de um designer para o set em questão. Como me pareceu um projeto aliciante e sempre quis fazer um set de Ideas, numa tarde construí a minha versão de um Ship in a Bottle e deixei-o na secretária da manager de Ideas como "carta de apresentação". Falamos no dia seguinte, e convenci-a a deixar-me fazer o set. 

No caso do set Gingerbread House de Creator Expert foi sorte! Naquela altura estava a trabalhar no design do 31096 Twin Rotor Helicopter de Creator 3in1, mas a meio do desenvolvimento do mesmo nasceu a minha segunda filha. Durante a licença de paternidade o meu manager enviou-me uma mensagem a dizer que o helicóptero tinha de passar para outro designer para não atrasar os processos internos, mas que em troca havia um projeto em vista para mim.

Quando regressei ao escritório descobri que me tinham confiado a Gingerbread House!

 

LB O processo de desenho de um set Winter Village deve ser relativamente diferente dos sets correntes como os do Creator.

Quando te apareceu o Gingerbread House já tinhas um briefing bem delineado ou um com bastante espaço de manobra? Exemplificando os extremos, tinhas esboços já feitos com o aspecto mais ou menos final da casa, cores a utilizar e minifigs ou as coisas estavam tão no ar que até podias desenhar outro set para o Winter Village?

 

TC A única grande diferença no processo de design entre este set e os de Creator 3in1 é o fato de não ter que fazer modelos alternativos. O processo de design e controlo de qualidade é bastante semelhante em todos os sets que a empresa faz, estejamos nós a falar de um simples polybag, ou de um set de 5000 peças.

Quando o set me foi atribuído já existia um esboço construído por outro designer. Retirei do esboço os pormenores de que mais gostei para ponto de partida mas segui o meu rumo digamos assim, respeitando sempre o briefing inicial de que tinha de ser uma Gingerbread House. Mais tarde começou a formar-se a história da família gingerbread, que ditou muitos dos pormenores que vemos no set final, como as minifiguras e os interiores, exteriores, os presentes em volta da árvore festiva entre outros.

 

LB Este conjunto tem várias particularidades bastante atractivas para os AFOLs. Por exemplo eu adoro como o interior do rés-do-chão está preenchido tornando-o num local bem aconchegante, já ouvi referências às várias técnicas para a construção da fachada (SNOT qb) e também às várias excelentes miniaturas de brinquedos e/ou mobiliário.

Para ti qual é aquele ponto de que te orgulhas mais neste set? Que poderá ser um marco diferenciador de outros sets da LEGO e talvez até uma evolução.

Não vale dizer tudo!! :)

 

TC Obrigado desde já! :) Pessoalmente o meu elemento favorito é provavelmente o cavalo de baloiço! Não é completamente descabido na escala minifig, dá para meter a tile 1x2 do bebé gingerbread e baloiça-se tal como um cavalo de verdade! Orgulho-me bastante dos telhados também embora não ache que seja muito diferenciador quando comparados a outros dos sets de Winter Village por exemplo, nem tão pouco uma evolução. Mas são bem robustos e é difícil encontrar as falhas/buracos típicos deste tipo de telhados quando feitos em LEGO.

 

LB Como AFOL uma das coisas que mais me interessam nos sets são as peças, nomeadamente as peças novas (sejam moldes ou cores). Este set inaugura os lingotes em tan, peça que acho que vai ser extremamente útil para fachadas.

Escolheste essa peça para a cama a pensar na utilização por AFOLs?

Tens outras peças que colocaste a pensar nos AFOLs?

 

TC Sem dúvida. Como já estive do lado AFOL das coisas (e agora de volta!) tive sempre em mente os AFOL's quando desenhava sets. A experiência tinha sempre de ser a mais indicada para a faixa etária marcada na caixa, mas isso não me impedia de incluir peças como referias, em novas cores a pensar em vocês ;) Foi o caso dos lingotes em tan por exemplo, sabia que era uma das melhores peças do sortido para simular um efeito de barra de chocolate e na altura, já existiam em castanho, então aproveitei a oportunidade para fazer a peça noutra cor. O set tem outras peças em cores novas, mas o lingote foi mesma aquela em que pensei "os fãs vão adorar isto"!

Quando fiz o Ship in a Bottle por exemplo, fiz um grande forcing também para trazermos de volta os grandes painéis transparentes presentes no set que já não se viam à quase 20 anos, e nessa altura também, a cor teal também tinha acabado de regressar à palete de cores da LEGO. Ainda que não se veja no modelo final, na estrutura do navio, e na base onde assenta a garrafa, tentei meter o máximo de elementos na cor teal que me foi possível, bem como as cabeças de minifig em roxo para aqueles que coleccionam minifiguras monocromáticas.

 

LB O teu passado como AFOL ajudou-te de alguma forma com a tua carreira na LEGO? 

Ou seja, sentias que de alguma forma o teres sido AFOL antes de ires para a LEGO te dava alguma vantagem/competências/sensibilidade que os outros designers não possuíam?

 

TC Sim e não. Acho que no workshop em Billund que faz parte do processo de contratação, onde passamos 2 dias em provas de construção, de desenho e entrevistas, o meu passado AFOL deu-me bastante jeito, pois sentia-me muito à vontade com as peças, sabia o que procurar e fazer e isso deixou-me tranquilo, ao contrário de muitos dos meus colegas que vinham de backgrounds de design puro e não mexiam em LEGO à anos.

No entanto acho que o fator mais importante de todo o processo é a nossa personalidade, a nossa capacidade de trabalhar em equipa, e a maneira como lidamos com a pressão, aspetos aos quais me parece que é dada mais atenção por parte de quem contrata, do que propriamente a nossa capacidade de construção.

Depois de ter sido contratado tive de desconstruir muitos dos meus vícios AFOL, e embora conhecesse as peças e sets, saber como funcionam e o que procurar para resolver determinado problema, tive de certa forma de aprender a brincar com LEGO, à maneira da LEGO.

 

LB Agora que estás de volta, pensas que o que aprendeste na LEGO será de alguma forma útil como AFOL?

 

TC Acho que vou ser capaz de fazer MOCs mais estáveis e que não se partam tão facilmente!

A LEGO foi sem dúvida uma boa escola em termos de estabilidade de construção.

Acho que um AFOL perde em média mais tempo a reconstruir MOC's que se partem durante as viagens para eventos, do que propriamente a construir coisas novas! :P

 

LB Acho que estás a exagerar. :) 

Deve é perder mais tempo com as várias valências do hobby do que propriamente a construir. ;)

Agora que estás cá fora, anunciaste que vais lançar dois canais de YouTube. Um em inglês e um em português. Queres explicar melhor o âmbito dos dois canais?

 

TC O mundo do Youtube tem-me vindo a fascinar, e sem ter grandes pretensões, quero experimentar e ver no que dá. O LEGO continua a ser uma parte importante da minha vida, então quero contar um pouco da história de como está a ser a transição da LEGO para Portugal, documentar a preparação do meu estúdio para poder voltar a MOC'ar com o intuito final de fazer vídeos de instruções, técnicas, MOC's, e falar de LEGO em geral. Tudo isto em Inglês, mas com o cuidado de meter legendas em Português sempre que me seja possível. (link aqui).

Ainda por lançar, pois neste momento o estúdio está de pernas para o ar, pretendo também fazer em Português um canal de reviews. Não existe ninguém que o faça na nossa língua, consistentemente, em formato vídeo tanto quanto sei, pelo que espero conseguir levar também esse projeto para a frente.

 

LB Também comecei a estar mais atento ao fenómeno YouTube e o engraçado é que esse interesse cimentou com os jogos de tabuleiro moderno e não com o LEGO. Claro que a minha veia AFOL fez com que pesquisasse conteúdos LEGO e fora um ou outro vídeo mais dirigido ao público infantil, não encontrei nada em português. Por isso cheguei até a lembrar-me de avançar eu próprio com um canal. Mas apesar de estar habituado a dar aulas e dinamizar workshops ainda não me sinto à vontade com a gravação de vídeos, o que faz com que ainda esteja indeciso quanto ao arrancar ou não com um projecto no YouTube.

Isso faz com que esteja imensamente curioso com o teu projecto, principalmente o canal em português. Claro que também vou estar atento ao canal em inglês já que ter a visão de uma pessoa que já foi LEGO Designer é extremamente interessante para um AFOL como eu.

Falas do teu estúdio estar de pernas para o ar. Já tens projetos em mente para o quando o tiveres pronto? O que pretendes construir?

 

TC Quero sem dúvida apostar em dicas de construção, pequenos modelos que miúdos e graúdos possam construir com as peças que têm em casa. Fazer muitos episódios de VLOG/Atualizações do estúdio em que vou mostrando como estão as coisas, as minhas escolhas para organização de peças, técnicas, faça-você-mesmo relacionados com LEGO, MOC's e outros. O bom de estar muito no princípio deste projeto é que posso experimentar um pouco de tudo e ver aquilo que resulta com o público e também aquilo que me dá gosto fazer em formato vídeo.

 

LB Tanto como AFOL como quando eras LEGO Designer, quais são as tuas maiores fontes de inspiração para quando constróis com peças LEGO?

 

TC Google, cores e peças.

No que toca a temas sem dúvida a ficção científica/espaço têm um lugar especial nas minhas preferências, e quando me quero inspirar vou a um ou outro blog de que gosto bastante (conceptships.blogspot.com por exemplo) ou pesquisa de imagens no google. Posso dizer também que às vezes é uma cor, ou conjuntos de cores que me inspiram para fazer uma construção. Por último, é por vezes ao olhar para uma peça de LEGO em particular que penso "esta peça era mesmo boa para fazer um XYZ".

Enquanto Designer, 95% dos briefings que tive de produtos para desenhar, passaram sempre por uma pesquisa de imagens na internet.

Sinto que é relativamente fácil construir a partir de uma boa referência fotográfica, descobri isto nos meus tempos de Creator 3in1, o que com muita pena me deixou, nunca tenha feito um set LEGO num tema como Super Heroes, Star Wars, Harry Potter e outros.

Blisk Space Fighter-Main

 

LB Partilho o fascínio pela ficção científica e o Concepts Ships também é um blog que sigo há anos. Tenho imensos posts assinalados no meu feedly para futuros projectos que inevitavelmente sei que nunca os vou fazer.

Para terminar e de alguma forma semelhante à última pergunta que fiz ao Marcos, podes nomear alguns filmes e/ou séries de TV de ficção científica que façam parte dos teus favoritos, sejam ou não inspiradores de construções LEGO.

 

TC Sou uma pessoa muito fácil no que toca a filmes e gosto de ver os blockbusters todos haha.

Tudo o que é Marvel Cinematic Universe (genial como se arquitectou uma história coesa a partir de 23 filmes diferentes), tudo o que envolva dinossauros, e ficção científica em geral.

Favoritos em cada uma das respectivas categorias seriam o Endgame, Jurassic Park e Interstellar.

 

Obrigado pelas perguntas e boa continuação para o blog :)

Aqui finda mais uma entrevista a um português que trabalha/trabalhou na LEGO. Esta série de entrevistas será para continuar mas também abrindo mais o leque de pessoas a entrevistar.

Não se esqueçam seguir os projectos do Catarino no Instagram e no Youtube!

 

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publicado às 13:00

Batalha de Endor

por baixinho, em 08.09.19

Battle of Endor 11

Os mais puristas poderão reclamar que as naves estão fora de escala entre si, eu contraponho que é uma questão de perspectivas. 

É que está tudo lá. Uma pessoa olha para um canto e vê aquela cena, olha para outro e vê outra cena memorável e ainda por cima repara naquele pormenor e exclama "ahh também tem esta",

O autor é o português Rui Miguel Anacleto que aos poucos está a tornar-se uma referência com pequenas construções do tão amado universo Star Wars.

ps. yeps, aquela chaminha a representar a ponte destruída da Super Star Destroyer está um must.

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publicado às 07:40

71044 Disney Train and Station: Entrevista ao Marcos Bessa

por baixinho, em 26.08.19

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Marcos Bessa não foi o primeiro designer português na LEGO mas é provavelmente o mais conhecido junto dos fãs. Começou a ser conhecido na Comunidade 0937 como um excelente construtor de MOCs (ver galeria aqui). Em Setembro de 2010 inicia funções na LEGO e não demora muito tempo para o seu trabalho ser notado junto dos fãs. A natural evolução dentro e fora da empresa dá origem não só a vários sets memoráveis como uma linha da sua responsabilidade, os BrickHeadz.

O lançamento do 71044 Disney Train And Station é a desculpa perfeita para iniciar mais uma entrevista com um LEGO Designer. Não só para saber mais sobre este conjunto, mas também para divagar por vários assuntos que só a AFOLs é que interessam! :)



LB O conjunto 71044 Disney Train and Station é, quanto a mim, um quanto inesperado. Não está na crista da onda de nenhuma moda atual como um determinado filme ou série de TV. Qual é a origem da ideia para criar este set? Foi proposta da Disney ou partiu mesmo de uma equipa ou de alguém da LEGO?

Sim, existem teorias da conspiração a correr nas redes sociais que é baseado num obscuro projecto que está algures no Ideas. Mas eu duvido que o pessoal da LEGO tenha tempo e pachorra para andar a percorrer a pente fino a plataforma, principalmente as ideias que ficam pelo caminho.

 

MB Quando começámos a trabalhar no design do Castelo (71040), em 2015, falou-se logo na hipótese de iniciarmos com ele uma série de sets inspirados em elementos temáticos e icónicos dos parques da Disney. Obviamente que com isto não estou a dizer que vão ou não sair mais sets nesta linha, mas como em todos os projectos em que trabalhamos, discutimos sempre muito mais à frente daquilo que estamos a planear no imediato, para a eventualidade de querermos vir a fazer um “follow up”. O Castelo teve e continua a ter bastante saída e tem sido um conjunto de grande sucesso, demonstrando o tamanho e apreço da comunidade de fãs deste mundo mágico da animação. E na altura, o set 71040 foi lançado no seguimento da primeira série de minifiguras Disney. Quando iniciámos o planeamento da segunda série, começámos também o diálogo com a Disney à volta do que poderíamos criar como sucessor ao Castelo. E embora tenhamos discutido outras ideias bastante interessantes, a Disney foi desde o início da opinião de que o próximo conjunto devia consistir na recriação do mais reconhecível comboio presente em alguns dos seus parques espalhadas pelo globo. Depois, entre os membros da equipa LEGO, discutimos sobre qual a melhor forma de executar a melhor e mais completa experiência à volta deste comboio. Foi por isso que optámos por incluir uma pista completa de carris (20 peças), os acopladores magnéticos e uma estação - inspirada nos edifícios da Disneyland California e Hong Kong. Desta forma, qualquer fã de comboios, fã de LEGO, fã da Disney - ou dos 3 - pode adquirir o mais completo set de comboio a vapor, num conjunto que lhe sairá certamente mais barato do que se tivesse de comprar os diferentes componentes separadamente. Na minha óptica, é um presente de Natal perfeito para colocar debaixo da árvore: antes e depois da troca de prendas!

 

LB A tua resposta é tão completa que responde à pergunta que estava a pensar em fazer a seguir. Se este set (o 71044) era a confirmação que estamos perante uma nova série de conjuntos que irão representar algumas das estruturas mais conhecidas dos parques Disney. Sou cada vez menos apreciador de sets com IPs, mas agrada-me sempre que a LEGO faça séries de conjuntos ao longo do tempo (Winter Village, Modulares, etc) que funcionem em conjunto, principalmente a nível de escala.

Um dos pontos altos deste conjunto é a introdução de peças em novas cores, nomeadamente as slopes em medium dark flesh (aconselho os leitores a lerem esta excelente análise no New Elementary). Sabendo que a capacidade de armazenagem da LEGO não é infinita, a introdução de novas peças leva, inevitavelmente, à "descontinuação" de outras.

Sentes algum peso na consciência quando tens que decidir sobre a entrada de uma nova peça/cor num set sabendo que provoca a saída de circulação de outras peças?

Já agora, a opinião dos designers em geral tem algum peso nessas decisões? (entrada e saída de peças).

 

MB Na verdade o processo é relativamente automático e indolor. Todos os anos o catálogo da LEGO é actualizado, com produtos novos a serem lançados e outros que saem de circulação. Os que saem de circulação têm muitas peças em determinada cor que estão em produção exclusivamente para esses sets, e se - por exemplo - há 100 peças que estão em produção apenas em sets que estão destinados a sair de circulação no final 2019, então para as novidades de 2020, as equipas de design têm 100 novas oportunidades de criar uma peça numa cor nova, ou uma nova decoração. Há mais factores e detalhes envolvidos neste processo, mas basicamente é mais ou menos assim que se determina que combinações peça-cor são retiradas de produção. Este processo às vezes leva a situações - bastante comuns! - em que na verdade o designer usa uma série de alterações de cor de peças que os fãs não identificam como “novidade”, porque a peça já esteve em circulação nessa cor a determinada altura, mas porque entretanto saiu de circulação, tivemos de voltar a “pagar” para ter essas peças nessas cores. Já quando se trata de retirar peças de circulação - o design, independentemente da cor - o processo é diferente e envolve uma série de pessoas que determinam que peças não fazem mais falta na nossa colecção de peças activas. Nesse processo nós designers temos um papel activo e votamos nas que menos nos fariam falta.

LB Um ponto que levanta sempre alguma contestação junto dos AFOLs é a presença de autocolantes. Sabe-se que a utilização dos autocolantes é muito mais barata que a de peças impressas, no entanto existem algumas coisas que confundem os fãs. Por exemplo, neste conjunto temos (novas) peças impressas e autocolantes. Como é que se escolhe que determinado pormenor vai ficar em autocolante ou vai ser impresso directamente na peça?

 

MB Há determinadas peças - como o disco 4x4 onde está impresso o relógio usado na fachada - que não podem levar autocolantes. São peças que têm “dupla curvatura” e um autocolante ficaria sempre com dobras se o tentasse colocar numa superfície como esta. Aí fica logo decidido: se precisamos de uma decoração numa destas peças, tem se ser impresso ao invés de autocolante. No caso da “tile 2x3” com a caixa do Castelo, foi uma decisão pura e simplesmente pelo desejo de oferecer algo mais exclusivo e especial neste set, como se a cereja no topo do bolo se tratasse. O número de impressões nas peças é gerido como as alterações de cores. Há um limite de cores/decorações que podemos gastar a cada ano, e estas são atribuídas aos diferentes projectos/produtos ainda antes destes serem criados. E nesse número estão também incluídas todas as novas decorações criadas para as minifiguras. Portanto, no meu caso, eu até podia ter usado mais peças impressas, mas além do custo extra que não é marginal, também teria de usar outra cor para o telhado que estivesse disponível em vez da cor que usei. É sempre uma ginástica que precisa de ser feita, entre compromissos e avaliação daquilo que realmente trará “novidade” e “valor” ao conjunto. Em alguns casos, o uso de autocolantes é preferível também pelo facto de permitir que as decorações sejam opcionais ou “customizaveis”. Além de tudo isso, não temos nenhum limite no número de autocolantes que podemos colocar num conjunto - além do custo, claro está.

 

LB Deve ser interessante todo esse processo que fica além do esperado desenho de um conjunto. Porventura decisões que até influenciam outros sets além daquele que está em cima da secretária.

Pelo que me lembro também estiveste envolvido no desenho de novas peças. Se o processo de desenho de peças específicas de temas (por exemplo as cabeças dos minifigs do 71044 ou os acessórios dos minifigs do MineCraft) deve ser mais ou menos pacífico já que, em princípio, não vão ser utilizados noutros temas. Como se processa o desenho de uma peça "mais básica"? Uma peça que, em princípio, vai ser ou pode ser utilizada em qualquer tema LEGO.

 

MB Dentro da Lego há uma entidade chamada “EDSG”, ou “Element Design and System Governance”, que age como “guardiã do sistema”. Estes profissionais asseguram que todas as peças criadas encaixam no sistema da melhor forma, sem esquecer diferentes parâmetros como a sua durabilidade, a usabilidade e facilidade como estas peças virão a ser produzidas em massa nas nossas fábricas. Quando se trata de peças mais genéricas, com maior hipóteses de virem a ser reutilizadas em outros produtos, é comum darmos uma volta à casa a pedir opiniões a outros designers. Além disso, temos também uma parede onde estão sempre dispostos todos os protótipos de peças em diferentes estados de desenvolvimento, para que todos os designers estejam a par do que está a ser desenvolvido, e inclui até um cantinho para os “discos pedidos”, ou peças com as quais alguém tem sonhado mas que ainda não encontraram um projecto para as lançar. 

 

LB Bem, como AFOL adoraria ter uma imagem dessa parede. :)

Sim, eu sei que compreensivelmente está fora de questão.

Tens alguma peça predilecta? Daquelas que não consegues deixar de utilizar num projecto teu porque achas que te permite aquela técnica especial, porque é extremamente versátil ou porque simplesmente lhe ganhaste um carinho especial?

 

MB A primeira peça que me vem à cabeça é a “jumper plate 1x2”, porque me permite saltar fora da grelha tradicional, e com isso adicionar detalhe às minhas construções. Como, por exemplo, quando construo uma janela e a coloco meio módulo puxada para dentro, criando um resultado muito mais realista e interessante do que se a colocasse alinhada com a parede ou até um módulo inteiro atrás.

 

LB Algo que tenho sentido enquanto estou a construir sets grandes (e por norma mais direccionados a adultos) é a quantidade de técnicas ousadas. Técnicas de construção por norma originais e que puxam mesmo o limite do que se pode fazer com as peças LEGO.

Isso torna muitas vezes a montagem do set uma experiência única para um AFOL como eu que adora o processo de construção e criação. 

Consegues explicar-me porque é que existem cada vez mais conjuntos assim? Se está ligado de alguma forma a um público mais exigente ou talvez à presença de vários AFOLs como designers? É que às vezes dá a impressão que há uma competição interna para ver quem consegue colocar a técnica mais ousada numa caixa de LEGO!

 

MB Haha... que eu saiba, não há competição nenhuma a decorrer! Há, no entanto, um imenso talento na equipa de design da LEGO! E muito dele vem justamente da comunidade AFOL, com mais e mais designers contratados nos últimos anos que construíam antes enquanto hobby. E isso é fantástico para os produtos que colocamos no mercado, porque vamos constantemente provando que há sempre algo novo que se pode fazer com as peças LEGO.

 

LB Oh. Então aquela visão romântica de um LEGO Designer AFOL, rodeado de colegas a fazerem poses agressivas, a encaminhar-se para a secretária de LEGO Designer Não-AFOL com um set nas mão cheio de técnicas originais e depois cantar qualquer coisa, mostrar peito e acabar com um passo de dança (tipo as músicas norte-americanas para adolescentes) não tem razão de ser :/

Nem o placard AFOLs 10 vs Não AFOLs 3

Há 10 anos atrás eras um comum mas talentoso AFOL. Foste contratado pela LEGO e o teu trabalho foi começando a ser reconhecido. Hoje em dia qualquer AFOL (e não precisa ser grande conhecedor) sabe o teu nome e consegue enumerar alguns dos teus sets.

Como reages a isso? Seres, de alguma forma, um ídolo num hobby que já foi o teu.

 

MB Fico muito feliz sempre que alguém demonstra apreço ou admiração pelo meu trabalho. Sempre tive os meus próprios ídolos e vejo neles fontes de inspiração inesgotáveis. Quando era “apenas” um AFOL em Portugal, olhava para o trabalho do Jamie Berard, por exemplo, e babava... e hoje uns metros apenas separam as nossas secretárias! Honestamente, é estranho parar agora e pensar que alguém por esse mundo fora olha para mim e o meu trabalho da mesma forma que eu via o trabalho do Jamie, ou do Nicholas Groves (designer do Medieval Market). Mas é um sentimento bom. Deixa-me orgulhoso, agradecido e com uma espécie de senso de responsabilidade para continuar a fazer o melhor que conseguir. E espero continuar a inspirar muitos construtores por esse mundo fora! Se assim for por muitos anos, levarei desta vida a certeza que valeu a pena cá passar.

 

LB Posso estar errado, mas pelo que me lembro não tens nenhum set grande sem ser licenciado. Alguma razão em especial?

 

MB O Santa’s Workshop (10245) não conta? :)

A única razão por trás de tal curiosidade é simplesmente o facto de ter sido contratado há 9 anos para integrar a equipa de design dos IPs e até hoje não quis mais sair de onde estou. Acho que a minha melhor qualidade enquanto designer está justamente na recriação de algo existente em peças LEGO e por isso tenho me mantido em projectos onde posso dar o melhor de mim. Adoro o desafio de captar o maior nível de detalhe possível do material de referência (seja ele um script, um vídeo, fotos ou rascunhos) e reproduzi-lo em peças LEGO.

 

LB Falhou-me esse. :)

Antes de ter perguntado, deveria ter consultado a lista dos sets desenhados por ti (https://marcosbessa28.wixsite.com/home/lego).

Há um par de anos atrás quando comecei a estar mais atento aos jogos de tabuleiro modernos achei muito curioso que todos eles eram assinados. Ou seja, os autores eram conhecidos e tinham o nome escarrapachado na própria caixa do jogo. Portanto é normal ouvir nas conversas dos boardgamers algo como "Já jogaste o último do Stegmaier?", "Temos que experimentar um Vital Lacerda*" ou "O Reiner Knizia este ano foi novamente nomeado para o Spiel des Jahres!".

Ainda há mais anos atrás (provavelmente 2006-07) estava muito interessado em saber quais os sets que cada um dos designers desenhava. A ideia era perceber estilos, seguir linhas de evolução, etc. Algo normal para um fã da marca. Na altura perguntei a alguém da LEGO (Jan ou Jake McKee, não me lembro) e na altura a resposta foi algo do género. A LEGO tenta não promover os nomes individuais mas sim o trabalho da empresa. Revelar os nomes dos designers responsáveis de cada set iria levar os fãs a apreciarem o trabalho de x ou y e não da marca.

Entretanto as coisas evoluíram e muito. Por um lado temos designers que são AFOLs. Por outro lado temos muitos mais AFOLs que desejam saber mais. A LEGO acompanhou, e bem, essa evolução e agora já é normal sabermos pela própria empresa (vídeos) quem desenhou alguns dos sets, principalmente os grandes.

Mesmo sabendo que os sets não são um trabalho apenas de um designer (exactamente como os jogos de tabuleiro), será que num futuro iremos ter sets assinados? Algo como um tema com sets de autor?

Eu sei que não podes falar de produtos futuros, mas como acho isso tão hipotético, não resisti perguntar :)

 

MarcosBessa2.jpg

MB Muita introdução para uma pergunta que vai ter uma resposta bem curta: não sei. :)

Honestamente acho difícil a empresa vir a mudar drasticamente a sua atitude neste aspecto. Como dizes, houve uma ligeira mudança, com a contratação de fãs e com a natural mudança dos tempos: “social media” coloca todos mais próximos uns dos outros - inclusive empresas e os seus consumidores - e o acesso à informação apenas encoraja curiosidade por saber ainda mais... o que leva então aos Designer vídeos, ou artigos nos livros de instruções e coisas assim... mas acho que ficaremos por aí.

 

LB Como última pergunta e misturando um pouco aquilo que sei que é também uma paixão tua, enquanto constróis (seja criando sets ou MOCs) ouves música? Não queres partilhar uma playlist (Spotify ou outra)?

 

MB Sim, ouço muita música sempre que estou “in the zone”, a construir. Por acaso já me passou pela cabeça começar a anotar - só pela curiosidade - as músicas que ouço quando desenho determinado set, mas na hora, quando estou completamente imerso na construção, acabo sempre por me esquecer de o fazer. Uso o Spotify e a maioria das vezes escolho mesmo uma das “daily mixes” ou “new releases”, porque gosto de descobrir música nova. Mas esta semana tenho construído ao som de “Musicals!!!” (https://open.spotify.com/user/annacillio/playlist/5Tb3MAlq7coUvaJ83p1AbQ?si=_ucRGvXnRsu2ntvTdeTwmg).

 

Com esta resposta, espero que playlist desperte a veia criativa a alguém!

Antes de terminar devo um grande obrigado ao Marcos Bessa por aceder a esta longa entrevista que, espero eu, enriqueça os conteúdos em português para AFOLs. Não é difícil de imaginar que o sucesso do Marcos vai continuar mas esperamos que continue a lançar conjuntos com técnicas cada vez mais avançadas e peças interessantes!

Esta é a segunda entrevista que faço aqui no blog (podem ler a primeira ao César “CesBrick” Soares aqui) e começo a pensar se não poderia continuar com uma série. É uma boa forma de aprender mais sobre o hobby LEGO

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publicado às 09:00

21318 Tree House, entrevista ao designer César Soares

por baixinho, em 29.07.19

César “CesBrick” Soares é o designer do conjunto 21318 Tree House, um dos conjuntos Ideas que mais furor tem feito junto dos AFOLs nos últimos tempos. Furor que não é inesperado, já que este conjunto além de ser uma delícia para os olhos é composto por uma variedade de peças que faz salivar qualquer AFOL construtor.

Aproveitando que conheço o César, já que fazemos parte do mesmo LUG (Comunidade 0937), questionei-o se acedia a uma pequena entrevista aqui para o blog. Mesmo estando de férias, o César aceitou prontamente mesmo tendo em conta o formato pretendido, uma conversa informal através do email que se alongou através de vários dias.

Sem mais delongas, aqui está o resultado dessa conversa.

LB O projeto do KevinTreeHouse está muito próximo da linha de MOCs que vinhas fazendo, principalmente antes de ingressares na LEGO. Quando foi aprovado, o pessoal do departamento do LEGO Ideas veio falar contigo ou tu é que lhes basteste à porta e disseste que este projecto tinha que ser teu e para isso mostraste-lhes a tua galeria na Comunidade 0937 como currículo?

CS O projecto de LEGO Ideas por norma não tem uma equipa de designers fixa. Uma das razões para isso é o facto de se querer que seja um projecto de paixão para o designer. No meu caso, assim que me apercebi que o projecto do Kevin iria atingir os 10 000 votos, apressei-me a fazer um sketch model com o intuito de o mostrar ao creative leader do Ideas e assim mostrar o meu interesse de fazer a versão final do conjunto, caso fosse escolhido para o efeito. Este sketch foi bem mais simples e um pouco mais pequeno que a versão final, mas serviu para mostrar o potencial de um set deste estilo. 

LB Não tinha noção que os designers ficam à coca dos vários projectos do Ideas que se aproximam dos 10 000 apoiantes. Fico curioso com o que acontece quando há mais de um LEGO Designer interessado num mesmo projecto.

Mas fico ainda mais curioso com uma possível imagem desse sketch model. Penso que é um ponto comum a muitos AFOLs. Ver sketchs models pode ajudar a perceber como um set é desenvolvido.

CS Não ficam por norma, a não ser alguns AFOLs que tem interesse num ou noutro projeto. No meu caso faltavam cerca de 50 votos para os 10 000 e eu gostei tanto do conceito do Kevin que pensei que se fosse escolhido eu gostaria muito de o fazer. E atenção, o fato de um designer fazer um sketch model nao quer dizer que vá ser realizado. Apenas pode ajudar a mostrar a viabilidade de um determinado conjunto. Quando mais que um designer mostra interesse, normalmente o set é desenvolvido em conjunto. 

Infelizmente não estamos autorizados a mostrar fotografias de sketchs models (apenas em casos muito especiais). Para este set, tirando o primeiro, devo ter feito pelo menos mais cinco diferentes. Explorando tamanho, forma, cores e texturas. 

LB É muito diferente desenhar um set Ideas de um set normal? Estás ligado aos produtos licenciados (com IP, tipo Star Wars) e portanto representam por norma veículos, cenários ou situações criados por outras entidades. No entanto no Ideas estás a criar algo a partir de um conceito já em LEGO. Isso cria facilidades, ou pelo contrário, dificuldades?

CS Eu diria que é diferente, não necessariamente mais difícil ou mais fácil. Continuas com o objetivo de tentar criar um conjunto que seja o mais próximo possível de uma ideia já existente. Claro que podes sempre utilizar técnicas ou determinadas peças específicas do criador original e isso pode facilitar, mas por outro lado, por vezes tens situações em que técnicas ilegais são usadas e tens de encontrar forma de fazer igual ou parecido utilizado apenas técnicas legais. Neste caso específico para mim pessoalmente a grande diferença foi que este conjunto foi o primeiro que fiz com a idade recomendada de 16+, o que comparado com a média que por norma estou habituado (8-10), me permitiu utilizar técnicas bastante mais complexas e criar uma experiência de construção mais envolvente e um resultado final que espero que agrade a muitos AFOLs.

LB Abordaste algo que agora estou muito próximo, a questão das idades aconselhadas para determinados tipos de construção. O que profissionalmente tenho sentido é que a variabilidade é tão grande que dizer que um conjunto é 6+ é talvez uma média e não um limite. Encontro crianças que com 4 anos podem achar um 6+ simples de construir e posso encontrar miúdos já com 9 ou até 10 anos que coçam a cabeça e sentem enormes dificuldades em seguir as instruções desse mesmo conjunto.

Claro que isto é algo que não é exclusivo da LEGO, já que outras marcas devem enfrentar os mesmos problemas. No entanto fico curioso com as características que a LEGO utiliza para poder tabelar os seus conjuntos. Número de peças, quantidade necessária de peças por instrução, número de cores devem ser as características esperadas. Mas falas também de técnicas. Existe alguma lista de técnicas de construção com a idade aconselhada? :) 

CS A idade aconselhada é mesmo isso, aconselhada. De acordo com uma série de directrizes mais ou menos estabelecidas e as quais tentamos seguir, ao desenharmos um set temos sempre em consideração coisas como uma criança de 6 anos, em geral, ter dificuldade em distinguir a esquerda da direita (daí evitarmos wedges para essas idades, por exemplo) ou ainda de que um tile 1x2 da mesma cor de um tile 2x3 é facilmente confundido. 

Portanto, não existe uma lista de técnicas de construção aconselhadas mas temos sim um série de directrizes (algumas oficiais outras menos mas que com a experiência e o feedback do consumidor acabam por ser seguidas por nós) que tentamos seguir para determinada idade aconselhada. 

LB Interessante e profissionalmente ficaria muito curioso com essa série de directrizes. Facilmente me lembraria das tiles semelhantes mas confesso que não me lembraria da questão da lateralidade, algo que até tropecei várias vezes quando trabalhei com robótica com miúdos do 1º ciclo.

Entretanto a Tree House foi anunciada e no Fórum 0937 gerou-se uma conversa bastante interessante que pode ser lida e participada aqui.

Voltando à questão deste set ser um projecto Ideas e portanto algo gerado por um AFOL. Não particularizando com o Kevin, já que acredito que tenhas tido alguma noção do que se passou pelo menos com alguns dos anteriores Ideas, como é que é uma relação entre o LEGO Designer responsável pelo set e o criador original? Basicamente e exemplificando os extremos, os criadores originais são uns chatos porque querem que o set seja o mais parecido possível ao seu projecto ou não querem saber e só perguntam quando é que vão receber o carcanhol?

CS Dependendo do projeto, e por várias razões o nível de envolvimento dos fãs foi sempre diferente. No caso do Kevin, a situação foi facilitada pelo fato de ele ter ido a Bilund um dia (por conta própria) e ter levado a Tree House com ele. Encontramo-nos por umas horas e eu tive a oportunidade de discutir com ele alguns pontos sobre como iria ficar o set final, sobre expectativas e ambições. Ele demonstrou alguma preferência por algumas coisas, como as cabanas serem os mesmos aposentos que a versão dele ou as lanternas penduradas em alguns ramos. E eu mantive, dentro do possível, alguns dos desejos dele. Foi-lhe também dada a oportunidade de escolher uma inscrição na peça que imita as letras gravadas no tronco da árvore. No fim ele viu o resultado final do set por Skype e ficou bastante contente com o resultado, embora em bastantes pontos, tenha sido substancialmente diferente da versão dele. 

LB Fico bastante contente pelo interesse mostrado pelo Kevin com o desenrolar do desenvolvimento do set. Penso que a peça com o "Build Your Dreams K.F." é uma excelente forma de a LEGO mostrar agradecimento. É daqueles pormenores que fazem com que este set suba mais uns lugares na sempre mutável wishlist pessoal.

Pessoalmente dividiria os sets Ideas em três grandes grupos. Os licenciados de filmes e séries, os baseados em veículos reais (por exemplo o 21309 NASA Apollo Saturn V) e os inspirados em construções originais dos fãs. Apesar da minha animosidade à proliferação de sets licenciados, acredito que até sejam estes que vendam mais no Ideas. A LEGO Ideas tem alguma política na distribuição entre licenciados e originais?

CS A LEGO tem um portfolio muito abrangente com IPs para quase todos os gostos e temas criados e desenvolvidos pela LEGO. Na minha opinião existe um balanço bastante saudável entre os dois e isso aplica-se também ao Ideas. Mas claro que neste caso há uma outra componente: as criações são as que os fãs submetem, por isso pode haver alturas (review stages) em que haja mais IPs e outras em que haja mais não IPs e isso pode influenciar o tal balanço. Mas não há nenhuma regra ou número fixo em relação a quantidades de um ou de outro.

LB Eu bem digo que a culpa da LEGO ter muitos conjuntos IP é porque os clientes compram :). No Ideas então a culpabilidade é a dobrar :)

Sendo um AFOL e sabendo de muitas "necessidades" dos AFOLs, quando desenhaste este conjunto em particular, tiveste alguma atenção a esta comunidade? Por exemplo peças que são úteis para determinado tipo de construções, peças em cores raras, etc.

CS Sim, claro. Além de tentar evitar coisas já "pré-fabricadas", como cadeiras, lanternas ou gavetas e com isso possivelmente contribuir para uma melhor experiência de construção, tentei utilizar peças que acho que seriam úteis, como slopes e bows variados em vários tons de castanho, utilização de peças apenas impressas ou uma multitude de peças em medium dark flesh que são relativamente incomuns. Para além, claro, da quantidade enorme de folhas em cinco cores diferentes. É um dos aspetos mais virado para AFOLs que consigo pensar neste set, pois não há nenhum outro que se aproxima da quantidade de folhas deste.

LB Realmente este conjunto é uma verdadeiro pack de folhas e por cima em dois conjuntos de tons diferentes.

Sabendo que a LEGO tem nas suas hostes vários AFOLs (ou ex-AFOLs), sentes que isso possa ter melhorado a qualidade dos sets lançados?

CS Eu acho que a maioria dos AFOLs que são designers tem um pouco mais de cuidado em pensar um bocadinho em coisas como colocar peças raras em algum set ou variar um pouco mais as cores interiores para proporcionar peças mais variadas. Mas acho que a maior vantagem é mesmo terem uma abertura maior para a comunidade AFOL. Tem mais propensão para ir a convenções e eventos e falam, por norma, mais com os fãs, etc. Relativamente à qualidade dos sets acho que há excelente designers vindos da comunidade AFOL mas também os há sem o ser

LB Este é, para já, o maior set Ideas. Sentiste uma maior responsabilidade?

CS Sim, este é o maior set Ideas até agora e eu sabia desde o momento em que ficou decidido que a escala seria similar ou que andaria perto do número de peças do 21311 Voltron. Mas não houve nenhum esforço consciente para o ultrapassar. O briefing era fazer um set que se distanciasse de todas as treehouses que a LEGO fez até hoje em temas como Creator ou Friends. Isto implicou um nível de detalhe e complexidade que fez elevar o número de peças (como por exemplo todas as cabines terem tiles no chão ou o efeito mais realista do riacho). Não senti mais responsabilidade por ser o maior mas mais por ser bastante complexo e orientado para um público-alvo de idades mais avançadas.

LB Inicialmente não previa que o número de perguntas pudesse chegar aos dois dígitos, portanto esta é a última e mais geral. 

Sabendo que tens um passado extremamente rico em MOCs, como foi a adaptação à forma de construir (desenhar) sets LEGO?

CS A minha transição de fã para Designer, não obstante os meus MOCs serem de uma forma geral de natureza bastante frágil, foi muito boa. Em primeiro lugar a LEGO quando se inicia a carreira de designer oferece formação em como, mesmo conhecendo bem o sistema LEGO, deve ser o design de um set em termos de segurança, estrutura, adaptação a idade-alvo, estabilidade, etc etc. Em segundo lugar, é atribuído um mentor, um senior designer, que durante os primeiros meses tem a função de  guiar e "ensinar" muitas coisas, e isso é uma ajuda enorme. Depois, nada é apressado. Tudo é bem planeado e atempado o que facilita uma integração maior. E claro que todos os sets LEGO passam por um rigoroso processo de qualidade e controlo o que leva a que se tiveres ideias mais "excêntricas"  são muito provavelmente logo cortadas! O Designer é normalmente associado a um determinado set, mas na realidade há uma enorme equipa por trás de cada um deles e sem a qual seria impossível termos os conjuntos com a qualidade que temos nas prateleiras.

 

Um grande obrigado ao César por esta entrevista que enriquece os conteúdos AFOL em português. Como é de prever, esperamos que continue a criar brilhantes sets e MOCs representando de forma brilhante a bandeira portuguesa no mundo LEGO.

Não se esqueçam de dar uma vista de olhos no press release and facts deste set neste meu post. Aconselho também a ver o vídeo sobre o set aqui. Por fim, não se esqueçam que o César irá estar presente na próxima Comic Con Portugal!!

 

ps. Imagens provenientes do Brickset.

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publicado às 17:30

Play Well Portugal

por baixinho, em 17.06.19

É sempre de louvar as iniciativas relacionadas com a promoção do hobby LEGO em português. É o caso da página Play Well Portugal que nos últimos meses tem dado várias novidades do mundo LEGO aos AFOLs e não AFOLs portugueses.

Vale a pena espreitar e seguir, link na imagem!

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publicado às 18:00

Greenhouse

por baixinho, em 23.03.19

Greenhouse

O nosso César "CesBrick" Soares continua a supreender-nos com MOCs extremamente detalhados e inúmeros detalhes originais. É um exercício agradável para qualquer AFOL esquadrinhar construções deste género.

Fica aqui o link da apresentação deste MOC no fórum 0937, onde podem comentar em português e receber respostas directas do próprio autor.

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publicado às 13:27

Livraria Lello por Karen Metz

por baixinho, em 13.02.19

The Lion and The RoseLivraria Lello A

Esta construção da Karen Metz é perfeitamente reconhecível para qualquer português. A livraria Lello no Porto é um dos pontos turísticos mais interessantes e fotografados da cidade. Ver o interior retratado com peças LEGO e na, sempre difícil, escala minifig é simplesmente bestial.

Quem conhece bem a livraria repara que existem algumas imperfeições. No entanto o trabalho está magnífico para o tamanho utilizado e tem soluções muito interessantes. Aconselho a visitar a galeria da autora para mais imagens desta construção.

The Lion and The Rose / Livraria Lello C

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publicado às 08:15

Gonçalo Velho, um farol nos Açores

por baixinho, em 24.06.18

Lighthouse Gonçalo Velho - Açores 2

Hugo "hugo.tx" Teixeira tem neste MOC o primeiro de uma série onde irá representar faróis, provavelmente portugueses.

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publicado às 07:41

A' Famosa

por baixinho, em 27.05.18

A' Famosa

Não, não é a primeira vez que vejo a Famosa em LEGO (aqui), mas convenhamos que o sentimento de ver algo "português" construído por pessoas do outro lado do mundo é muito bom. Yoong Shirley além de ter esta versão, também construiu uma em micro-escala e que pode ser vista aqui.

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publicado às 19:27

Inspirações: Portugal dos Pequenitos

por baixinho, em 16.05.18

Portugal dos Pequenitos é um parque temático situado no concelho de Coimbra e, penso eu, bem conhecido de qualquer português. De qualquer forma fica aqui a entrada na Wikipédia para quem não se lembrar bem do que é este parque.

Deixando de lado algumas simbologias datadas do parque, é um local excelente para quem quiser tirar ideias para construções baseadas na arquitectura tradicional portuguesa.

Aliás, arrisco a dizer que vale a pena ir ao local e sentir as proporções dos vários edifícios já que assim se poderá ter uma melhor ideia dos mesmos do que através das imagens na Internet.

Não é de descurar também as várias réplicas dos monumentos bem como das representações das várias ex-colónias portuguesas.

É, com certeza, o local com maior concentração de inspirações para construções tradicionais portuguesas.

Link para o site oficial.

Imagens retiradas do artigo da Wikipédia.

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publicado às 12:16

Em Portugal também se fazem coisas bonitas com LEGO (parte 41)

por baixinho, em 20.12.17

presépio

Penso que este trabalho do hugo.tx transmite algo da magia do Natal conseguindo que peças de plástico transmitam ternura.

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publicado às 18:11

Em Portugal também se fazem coisas bonitas com LEGO (parte 40)

por baixinho, em 13.11.17

Just like a doll's house

César "CesBrick" Soares volta ao ambiente que o notabilizou com a cabana da Branca de Neve (sim, é ela ali no canto esquerdo) onde a quantidade de pormenores continua a ser bestial.. mas desta vez sem tantas paredes inclinadas.

Para melhor apreciar este MOC aconselho abrir numa resolução muito maior da que o monitor permite. Depois escolher um tema e andar a esquadrinhar a fotografia toda deliciando-se com os pormenores. Por exemplo, eu primeiro andei a ver a vegetação toda.. depois passei para a casa focando-me no trabalho das madeiras e nas pedras... depois andei nas ferramentas...

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publicado às 11:29

Em Portugal também se fazem coisas bonitas com LEGO (parte 39)

por baixinho, em 11.10.17

Café shop

Eu sei que o homem não anda por Portugal, mas penso que podemos considerar esta como uma construção portuguesa. Agora é aumentar a imagem ao máximo e ver todos os pequenos pormenores que fazem desta construção uma delícia para qualquer AFOL.

Humm, tenho que dizer que é do César CesBrick Soares?

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publicado às 21:28

Em Portugal também se fazem coisas bonitas com LEGO (parte 38)

por baixinho, em 04.10.17

YR-001

Ok, não é em Portugal, mas é sem dúvida de um português :)

Tiago Catarino construiu esta lindíssima nave espacial com umas fantásticas formas e esquema de cores. Gosto especialmente do interior do cockpit e dos greeblies (poucos mais estrategicamente colocados). Podem saber mais sobre esta nave espacial na apresentação feita pelo autor no Fórum 0937.

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publicado às 07:30

Em Portugal também se fazem coisas bonitas com LEGO (parte 37)

por baixinho, em 10.09.17

Bumblebee

Quando era novo os Transformers nunca me atraíram muito e apesar do primeiro filme ter-me dado alguma curiosidade, os seguintes trataram logo de afastá-la :)

César "Cesbrick" Soares mostra outra vez as suas qualidades na construção com peças LEGO não deixando nada ao acaso. Mas mesmo nada.

É um mimo aumentar a imagem no Flickr e apreciar todos os pequenos pormenores desta beleza e andar a descobrir todas as diferentes peças utilizadas e o tipo de conexões que as ligam. Prometo que é um bom e enriquecedor exercício para esta tarde de domingo :)

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publicado às 12:24

Em Portugal também se fazem coisas bonitas com LEGO (parte 36)

por baixinho, em 02.08.17

cartaz

Desta vez destaco uma exposição inteira. Ok, posso estar a ser um pouco tendencioso, mas o raio da exposição está cinco estrelas.

A grande maior parte das construções podem ser vistas nesta galeria da Comunidade 0937 mas, como sempre, não dispensa uma visualização ao vivo para melhor apreciar-se cada um dos pormenores patentes na Expofacic.

Algumas construções:

Untitled

 

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publicado às 10:45

Em Portugal também se fazem coisas bonitas com LEGO (parte 34)

por baixinho, em 26.06.17

Italian Restaurant

Devagarinho o Olímpio "Alex" Albano está a tornar-se um perito na construção de modulares originais. Modulares onde a vida dos minifigs é recheadas de tantos pequenos pormenores e situações engraçadas que imitam na perfeição as intenções dos últimos modulares que a LEGO lançou. Para perceber todos os detalhes, aconselho dar uma vista de olhos na galeria completa.

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publicado às 17:29

As 10 construções favoritas na Galeria 0937

por baixinho, em 29.05.17

galeria da Comunidade 0937 já possui cerca de 3000 construções, número que torna praticamente impossível a experiência de conhecer todas os MOCs interessantes que lá habitam. Para realçar bons MOCs que podem ter sidos esquecidos nestes mais de dez anos de existência, criou-se o desafio de os próprios utilizadores do Fórum indicarem os seus dez favoritos. Já cumpri esta tarefa com o seguinte texto.


Bem, a ideia é gira mas a tarefa é mesmo difícil. Primeiro tratei de escolher métodos e traçar alguns limites para facilitar o meu trabalho. Sendo assim decidi que apenas escolheria uma construção por ano (portanto só de 2006 a 2015, deixando 2016 e 2017 de fora), que não iria repetir autores, que não poderia nomear as minhas próprias construções e que me concentraria em construtores “portugueses”. Coloquei entre aspas porque não resisti em dar um desvio a essa limitação auto-imposta numa das minhas últimas escolhas.
A maior parte das minhas escolhas recaem não na procura da melhor construção (daquele ano), mas mais na inovação ou arrojo.. Já que muitas vezes o que achamos normal de ver, não o era há uns anos atrás e alguém teve que ser o primeiro a avançar para outros continuarem e até melhorarem a obra.
Claro que tenho a noção que a escolha não é perfeita e acredito que se fosse obrigado a fazê-la de novo, os resultados poderiam ser inteiramente diferentes. Aliás, tenho a plena consciência que deixei excelentes construções e construtores de fora que estariam nesta lista se escolhe-se outros métodos. Por exemplo, deixei de fora uma certa construção do Miguel Oliveira por já não haver imagem da mesma.


A primeira escolha recaí sobre a Demag TC 2800-1 do Pedro Agnelo. Uma grua feita à escala e com uns impressionantes 5 metros e 40 centímetros de altura impressionou na altura que foi construída e continua a impressionar agora. Além da dimensão, mostrou que era possível construir Technic de forma realista não só a nível dos mecanismos como da forma, contribuindo para que as peças  LEGO não fossem olhadas apenas como algo para brincar, mas algo funcional.


A escolha seguinte vai para algo completamente diferente, o Heavy Water Ruins da Tânia. Apesar de ser um add-on a um MOC mais antigo (Heavy Water), transmite na perfeição a ideia de um landscape que vai crescendo e sendo adaptado. Além de ter provado (principalmente a mim) que é possível fazer MOCs de landscape com uma área generosa sem gastar imensas peças, foi este a origem dos vários layouts (medievais e não só) que a Comunidade 0937 foi apresentando ao longo de muitos anos. Além disso a versão original deste MOC foi a primeira a da C0937 ser destacada internacionalmente (não digo portuguesa porque tive um MOC a ser destacado ainda antes do aparecimento da C0937).
 

A minha terceira escolha vai para um inusitado Go Downhill Miniman Go do Rupi. Em 2008 a LEGO decidiu comemorar os 25 anos do minifig (batizado de forma efémera como Miniman na altura) com um concurso internacional. Pelo que me lembro dois portugueses participaram neste concurso, o Rupi com esta construção e o Evildead com esta. Já não me lembro dos resultados (o Evildead ganhou alguma coisa?) mas lembro-me que ambas as participações foram muito bem recebidas internacionalmente com vários destaques. Pessoalmente achei a construção do Rupi algo único não só pela habitual piada que o autor nos habituou, mas também pelo arrojo na forma como o landscape é formado e na naturalidade em que a figura sagrada do miniman (minifig) é alterada para conseguir-se o efeito pretendido.
 

Chega agora a vez de destacar uma construção do agora famoso MarcosBessa. No meio do esforço colectivo que foi o 2º TomarLEGO, apareceram várias construções notáveis e o Cinema - uma antestreia na cidade… foi um dos mais vistosos. Mas além de ser vistoso foi provavelmente aqui que o Marcos começou a aliar a classe de uma arquitectura apurada com manancial de mil e um pormenores inovadores e de abrir a boca a qualquer AFOL. Estilo que o Marcos foi apurando durante algum tempo como AFOL e mais tarde como LEGO Designer de reconhecido valor.


É bem conhecida a vontade com que o Biczzz sempre tentou alcançar a perfeição para os seus modelos. No entanto a Chopper “Black Velvet” elevou o significado da própria palavra perfeição a novos e não esperados patamares. Não são só as técnicas de construção inovadoras e excelentes, há também todo um cuidado fotográfico que consegue mostrar tanto o peso como a leveza desta modelo única. A principal fotografia desta construção é, para mim, a mais merecedora de uma capa de revista de todas as construções na Galeria 0937.
 

O Hospital do mguerreiro é um marco no meio das dezenas de edifícios que ele foi construindo ao longo de vários anos. Basicamente é a prova de que se pode aliar a quantidade à qualidade passando pela resistência e simplicidade sem deixar escapar um sentido estético agradável. Aliás, um estilo de reconhecido valor que deu origem à expressão “construir à Guerreiro”. Pena ele não apresentar no fórum um décimo do que constrói.
 

Durante algum tempo MigBarroso presenteou os AFOLs portugueses com séries de minifiguras de personalidades nacionais. Como sempre, destaco a primeira vaga da série onde ficamos a conhecer versões LEGO de pessoas como António Variações, Fernando Pessoa ou Vasco da Gama. As quatro séries são tão boas que de certeza seriam um sucesso em território nacional!
 

Unity is Strengh, um trabalho que o 0937 Superfan fez para um concurso da LEGO ligado ao The LEGO Movie, é uma construção singular nesta lista já que é uma curta metragem. Ou seja, além de se construir nas três habituais dimensões há que ter em conta a quarta, o tempo. O filme foi produzido de uma forma excelente o que lhe mereceu um prémio no concurso e prova que os portugueses também podem dar cartas no stop motion em LEGO (aka BrickFilms). De notar que nem imagino a tarefa que deve fotografar centenas de vezes para produzir uns meros segundos de filme.
 

A construção que me fez desviar na regra auto-imposta foi a Lego Cars Islands do nosso galego Pabloglez. Esta gigantesca construção foi criada propositadamente para ser brincada pelo filho do criador e mostra que este hobby também pode ser um bom elo de ligação entre os AFOLs e os seus filhos. Eu que o diga que também cheguei a fazer várias construções para a minha filha brincar.
 

O meu último destaque vai para o BlueWater Castle do CesBrick que, em termos de MOCs, dominou todas as atenções no Fórum 0937 durante mais de um ano. Pegando nas tradições que a Comunidade 0937 sempre teve no medieval (lembro-me assim de repente dos trabalhos da Tânia, Bacvs, Ztp e Naneto) e indo buscar os últimos estilos lá fora, CesBrick subiu a fasquia a níveis nunca dantes imaginados e, ainda por cima, com uma cadência espectacular. O culminar deste trabalho foi o display The Enchanted Forest construído com o hugosantos (e que tive a honra de ter colocado um brick algures) que simboliza muito do que se quer para a Comunidade 0937. Que o céu seja o limite da nossa criatividade.

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publicado às 13:00

Em Portugal também se fazem coisas bonitas com LEGO (parte 30)

por baixinho, em 27.03.17

3660 - Fisherman's Wharf - REDUX

A actividade de construir "reduxes" na Comunidade 0937 continua a gerar MOCs muito interessantes. Por exemplo temos este redux do 3660 Fisherman's Wharf construído pelo Seraph que consegue captar na perfeição um dos seus conjuntos LEGO de infância.

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publicado às 15:50


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